Entretenimento – 11/02/2012 – 13:02
Problemas com o microfone, confusão com o som e atrasos. Tudo isso seria um problema para uma palestra da Campus Party Brasil, se os convidados não estivessem no palco principal para falar de humor na web brasileira. Batizados de “filhos da internet” pela área de Mídias Sociais do evento, em oposição à denominação “pais da internet”, dada às pessoas que criaram a rede tecnicamente, foi debatida a importância de não se preocupar com as críticas negativas para se conseguir ser criativo. “Acho lindo não gostar de mim. Minha intenção é mesmo sacanear todo mundo”, declarou em tom de brincadeira o humorista Rafinha Bastos.
Ao lado dele – e do maior público presente em uma palestra na Campus este ano – estavam Maurício Sid, do blog Nao Salvo, Rosana Hermann, do site Meu Querido Leitor, Pc Siqueira, da MTV e Rodrigo Fernandes, doJacaré Banguela. Rafinha foi adiante ao afirmar que, na web, algo será legal somente quando você deixar de se preocupar com a reação das pessoas. “Caso contrário, você se tornará sempre escravo de alguém. E, sinceramente, eu não tenho que agradar todo mundo. Os limites de uma piada têm de ser de quem a conta”, declarou, ao concluir que a brincadeira não pode conter barreiras nela mesma.
O discurso distraído – e, por vezes, sem rumo, – dos palestrantes seguiu a mesma linha de defesa da liberdade da piada e do humor. “Nós lutamos pela igualdade, mas não podemos sacanear com as pessoas”, comentou Rosana após o comentário de Rafinha sobre o impedimento, imposto a ele, de fazer piadas sobre deficientes físicos. “Todos têm deficiência. Poderíamos brincar com todos. Essa é a verdadeira democracia”, falou ela ao ser cortada por Siqueira. “É que as pessoas, hoje em dia, não entendem ironia”, argumentou o apresentador daMTV.
Humor, a “vaselina” da internet
Para Rosana Hermann, não se pode falar no humor como sendo a grande cola que “gruda” o usuário na web. “Acho que a palavra melhor para definir a função do humor na internet é ‘vaselina’. É o humor que faz o conteúdo deslizar. Ele é o KY”, falou em referência a uma marca de lubrificante íntimo. “É por aí mesmo. O cara ali embaixo bateu palmas loucamente quando você falou isso”, disse Rodrigo em uma de suas inúmeras intervenções com a única intenção de tirar uma risada do público, que, é claro, sempre ria.
Para Rafinha Bastos, o sucesso na internet tem feito com que as pessoas sejam chamadas para a televisão que, segundo ele, é um “veículo frio e sem graça”, com menos penetração na população, aliás, que a própria internet. “Foi por isso que o Pc foi para a MTV. Foi também o motivo pelo qual eu fui chamado para a Band, depois que criei a Página do Rafinha, em 1999, culminando mais tarde com a minha demissão na TV”, brincou o humorista. “Atualmente, é muito mais importante você estar linkado do que ser famoso”, encerrou.
Público cobra seriedade na internet
Do grupo presente no palco principal da Campu Party, Maurício Sid parecia o mais alheio à conversa e à realidade ao seu redor. “Eu uso a internet 100% para brincadeira”, disse o bloqueiro ao ser questionado sobre como o público enxerga as pessoas que estão por trás de sites e blogs de humor. “As pessoas cobram de você uma opinião sobre tudo”, falou.
Pc Siqueira foi mais enfático ao afirmar que as pessoas cobram certa seriedade das “celebridades” da internet sobre os assuntos que as interessam, fazendo que a brincadeira se torne uma atitute politicamente incorreta. “O público acaba cobrando um comportamento seu que é similar àquele com que ele se identifica”, declarou Rafinha.
Fonte: Terra


