Sobretaxa de 55% pode gerar perdas bilionárias e pressionar preços no mercado interno, avalia governo estadual
A decisão da China de impor uma tarifa adicional de 55% sobre a importação de carne bovina, quando os volumes exportados ultrapassarem as cotas estabelecidas, deve provocar impactos significativos na economia de Mato Grosso do Sul. A medida entrou em vigor nesta quinta-feira (1º) e terá validade até 31 de dezembro de 2028.
Segundo o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, os efeitos da sobretaxa serão sentidos de forma direta pelo Estado, que ocupa posição estratégica na cadeia produtiva da carne bovina brasileira. De acordo com ele, a estimativa é de uma possível perda de até US$ 3 bilhões em exportações para o mercado chinês, o que pode resultar também em pressão negativa sobre os preços no mercado interno.
Para Verruck, o cenário exige estratégia, diálogo e inteligência comercial, tanto para preservar os mercados já consolidados quanto para abrir novas frentes de exportação. “Nos preocupa o tempo de ajuste entre a oferta e a queda da demanda pela China, decorrente da tarifa adicional e das cotas”, afirmou.
Mato Grosso do Sul é um dos principais polos pecuários e exportadores do país, com plantas frigoríficas habilitadas para o mercado chinês, elevada produtividade e forte integração com o comércio exterior. Qualquer restrição adicional ao principal destino das exportações brasileiras, segundo o secretário, afeta não apenas o volume embarcado, mas também preços, investimentos, renda e empregos ao longo de toda a cadeia produtiva.
Entre os principais reflexos da medida para o Estado estão o aumento da pressão sobre a competitividade da carne sul-mato-grossense no mercado chinês, a necessidade de uma gestão mais rigorosa das cotas e do fluxo de exportações, o reforço na diversificação de mercados internacionais e a importância da diplomacia comercial articulada entre governo, setor produtivo e indústria.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avaliam que a decisão chinesa altera as condições de acesso ao mercado e impõe a reorganização dos fluxos de produção e exportação. Em 2024, a China importou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina do Brasil, o equivalente a 48,3% do volume exportado. Entre janeiro e novembro de 2025, os embarques ao país asiático somaram 1,499 milhão de toneladas, com faturamento de US$ 8,028 bilhões.
De acordo com o Ministério do Comércio da China, a cota total para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas, sendo 41,1% destinadas ao Brasil. A sobretaxa de 55% incidirá apenas sobre o volume que ultrapassar o limite definido.
Entidades do setor afirmam que continuarão acompanhando a implementação da medida para reduzir os impactos aos pecuaristas e exportadores e preservar o fluxo comercial construído ao longo dos últimos anos.
Com informações do Correio do Estado


