Como o SUS do município organiza o atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito para a população que precisa de apoio emocional
Durante a edição do Jornal da Caçula desta quarta-feira (9), transmitido pela Caçula FM 96,9, a psicóloga do Ambulatório de Saúde Mental de Três Lagoas, Daniele Brito, destacou a relevância da campanha Setembro Amarelo e detalhou como a Rede Municipal de Saúde presta atendimento gratuito à população. Com o tema central “Escutar e estar presente”, a entrevista abordou desde a identificação de sinais de sofrimento emocional até o fluxo correto para buscar ajuda na rede pública.
A especialista enfatizou que, embora o mês de setembro dê visibilidade redobrada ao tema, o cuidado com a saúde mental deve ocorrer o ano todo.
“Essa campanha é muito importante porque traz para nós um estigma voltado à questão da saúde mental. Na verdade, nós, como profissionais, falamos sobre isso o ano todo, a gente lida com isso. Mas essa campanha é primordial para a gente falar sobre o tema e trazer a questão da prevenção, porque a gente tem essa questão de adoecimento da população, mas a gente precisa, sim, falar ainda sobre como prevenção.”
SINAIS DE ALERTA
Questionada sobre como familiares e amigos podem identificar se alguém está passando por sofrimento silencioso, Daniele apontou que a mudança de comportamento é o principal indicativo. Irritabilidade, isolamento e a perda de interesse por atividades que antes traziam prazer exigem atenção redobrada de pais, cônjuges e amigos.
A psicóloga reforçou que a rede de apoio não precisa ser formada apenas por especialistas, mas por seres humanos dispostos a ouvir sem julgamentos:
“Para você ouvir uma pessoa, de certa forma, você não precisa ser um profissional de saúde. Você precisa ser um ser humano, né? E acolher. A correria do nosso dia a dia, essa vida corrida, ela tira de nós esses momentos de escutar o outro, de dar um pouquinho de atenção, de estar disponível.”
ATENDIMENTO SUS
Muitos cidadãos ainda desconhecem como acessar o suporte psicológico e psiquiátrico gratuito na cidade. A profissional explicou o passo a passo de como funciona a porta de entrada no sistema municipal:
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Unidade Básica de Saúde (UBS): É o primeiro passo. O usuário vai até o postinho do seu bairro para ser avaliado pela equipe médica e de enfermagem. Casos leves são tratados ali mesmo, muitas vezes com o suporte de psicólogos que integram a equipe multiprofissional.
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Ambulatório de Saúde Mental: Casos moderados, que necessitam de um olhar especializado, são encaminhados via regulação (CISREG) para o ambulatório.
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CAPS (Centro de Atendimento Psychossocial): Destinado a casos graves e persistentes de transtornos mentais (CAPS II) ou voltados para dependência química de álcool e drogas (CAPS AD), funcionando em formato de porta aberta para essas demandas severas.
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UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e Emergências: Indicado estritamente para situações de crise aguda com risco eminente de vida ou surtos psicóticos, onde é necessária contenção imediata e suporte de urgência.
REDES SOCIAIS
A entrevista também abordou o preconceito cultural que ainda cerca a busca por ajuda psicológica, comparando o sofrimento emocional a qualquer outra enfermidade física. Além disso, temas modernos como o uso excessivo de redes sociais — que muitas vezes geram comparações irreais e ansiedade — e o impacto financeiro de apostas online (“bets”) no adoecimento mental foram debatidos como fatores de risco atuais que exigem intervenção profissional e diálogo familiar.
“O que a gente tem de solução? Ou de conselho? Use com moderação. A nossa vida precisa de equilíbrio. Tudo na nossa vida tem limite, mas a gente precisa do equilíbrio, até em questões de saúde. Senão, a gente fica muito vulnerável no cotidiano.”
A psicóloga finalizou com uma mensagem de esperança direcionada a quem enfrenta momentos difíceis, lembrando que a recuperação é um processo gradual que exige compromisso com o próprio bem-estar, mas que ninguém precisa enfrentar os problemas sozinho.


