Mato Grosso do Sul já registra 136 mortes decorrentes de confrontos com agentes de segurança pública em 2026, segundo dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS). O levantamento, atualizado até 17 de setembro, mostra que o número já supera com ampla margem as 73 mortes registradas durante todo o ano de 2025.
O mês de agosto foi o mais letal do ano, com 31 mortes registradas em confrontos policiais. Antes disso, julho havia contabilizado 26 casos. Em setembro, até o dia 17, foram outras seis mortes. A estatística considera ocorrências classificadas oficialmente como morte decorrente de oposição à intervenção policial.
Entre os casos registrados estão confrontos durante abordagens, operações contra suspeitos de crimes violentos, ocorrências relacionadas ao tráfico de drogas e ações contra grupos armados. Um dos episódios de maior repercussão ocorreu em agosto, quando três pessoas morreram durante uma ação da Polícia Militar na região de Coxim. Também houve confrontos em Campo Grande, Três Lagoas, Ivinhema e outras cidades do Estado.
O crescimento da letalidade policial ocorre em um cenário de preocupação das autoridades com a atuação de facções criminosas e grupos armados, especialmente pela posição estratégica de Mato Grosso do Sul nas fronteiras com Paraguai e Bolívia. Ao mesmo tempo, os números levantam discussões sobre as circunstâncias das abordagens e dos confrontos. Em Três Lagoas, por exemplo, familiares de um homem morto em uma ocorrência de agosto contestaram a versão apresentada pela Polícia Militar e afirmaram que não teria ocorrido confronto.


