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Elas nunca idealizaram a maternidade – mas se descobriram mãezonas

Entretenimento – 08/05/2013 – 13:05

Já não é surpresa ouvir uma amiga ou parente dizer que não quer ter filhos. Da mesma maneira, não é um choque ficar sabendo que esta mesma mulher engravidou e mudou completamente de opinião em relação à maternidade: diante do bebê que colocou no mundo, descobriu a mãezona que estava escondida dentro dela. Mas como acontece essa virada radical de postura?

Arquivo pessoal

“Diminuí o ritmo do trabalho. Prefiro ter um pouco menos de dinheiro e ficar mais com meu marido e minha filha”, conta Rose, mãe de Luna

“A afirmação contundente de não querer ter filhos pode vir de um desejo autêntico, elaborado e bem trabalhado pela mulher, discutido tranquilamente pelo casal. Ou de uma defesa frente à angústia, à cobrança e à idealização da maternidade, que fazem muitas mulheres sofrerem com uma ambiguidade em relação ao desejo de serem mães e não se sentirem seguras para a tarefa”, afirma a psicóloga clínica Maria Galrão Rios Lima, doutora em psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Passado o período de inseguranças e questionamentos, muitas mulheres se encantam com o papel de mães. “Elas percebem que podem se realizar verdadeiramente nessa função, construindo uma relação saudável com o filho”, afirma Maria.

Três mulheres que nunca idealizaram a maternidade contam como os filhos entraram em suas vidas, mudaram suas rotinas e trouxeram à tona características que elas não imaginavam ter.

Arquivo pessoal

“Não sou mais só a Carla, sou a mãe do Mateus também”, conta a auxiliar administrativa que nunca tinha sonhado com a maternidade

“Ser mãe me transformou em duas”

Outra que não contava em ter um filho é a auxiliar administrativa Carla Valezin. A gravidez que trouxe ao mundo Mateus, de um ano e três meses, veio no susto, quando o efeito da pílula anticoncepcional que tomava foi cortado por um antibiótico. “Nunca pensei em ser mãe, não era meu sonho. Então meu primeiro medo foi que o pai da criança, meu então namorado, não aceitasse. Mas ele foi supertranquilo, disse que em nove meses veríamos um japonesinho correndo por aí”, recorda.

O relacionamento com o pai da criança durou até o começo de 2013, mas as mudanças positivas que o bebê trouxe para a vida de Carla são de longo prazo, como ela revela: “Fiquei muito mais preocupada comigo. Perdi 15 quilos, além daqueles que ganhei na gestação, para ter uma saúde melhor. Ser mãe me transformou em duas. Não sou mais só a Carla, sou a mãe do Mateus também.”

Chefe de escoteiros, ela leva o filho a acampamentos e acredita estar mais carinhosa com as outras crianças desde que se tornou mãe. E mais alerta também. “Até para cheiros estou mais sensível. Parece que meus sentidos estão mais aguçados, porque quero ouvir se ele chora, saber o que ele pega. Sou responsável por uma criança que é tudo na minha vida.”

“Mãejestade”

A professora Rose Misceno estava casada havia mais de 15 anos quando pensou pela primeira vez em ter um bebê. “Foi do nada, estava me arrumando para ir trabalhar e falei para o meu marido que poderíamos ter um filho. Tínhamos acabado de comprar nosso primeiro apartamento, talvez aquela tranquilidade financeira de sair do aluguel tenha me deixado mais à vontade com o assunto”, lembra. Na primeira gestação, sofreu um aborto espontâneo. Sete meses depois estava grávida de Luna, hoje com três anos, e filha única.

“Não havia em mim o sonho de ser mãe. Cuidar de mim já era bastante, queria me dedicar aos estudos. Quando engravidei, estava na faculdade de pedagogia, o que também pode ter me incentivado, de alguma maneira, a pensar em criar um filho com mais maturidade”, diz.

A experiência foi – e continua sendo – tão positiva que Rose criou o blog “Vida de Mãejestade” , em que conta sobre o dia a dia com Luna e tira dúvidas de leitoras. “Gosto de compartilhar. Sinto que, antes de ser mãe, eu era um pouco egoísta. Fiquei mais simpática, mais sociável, passei a dar mais importância para os outros e, principalmente, para o relacionamento em casa. Diminuí o ritmo do trabalho. Prefiro ter um pouco menos de dinheiro e ficar mais com meu marido e minha filha.”

Arquivo pessoal

“Fui mãe de levar ao judô, ao balé, ao inglês, de brincar no chão”, conta Laíse, mãe de Danilo e Susana

A artista que virou supermãe

“Ninguém da minha família achava sequer que eu fosse casar, quanto mais ter filhos. Eu queria ser artista, desenhista. Nunca tive interesse por crianças. Durante a licenciatura, fiz estágio em escolas e fiquei horrorizada, não queria filhos para mim”. Essa era a realidade da ilustradora Laíse Rodrigues, mãe de Danilo, hoje com 24 anos, e Susana, 21, até conhecer seu marido – e ele queria filhos.

Ao longo dos anos, o casal conversou sobre o assunto e Laíse chegou à conclusão de que precisaria trabalhar de casa para ter filhos. “Se seria mãe, seria por completo”, justifica. E assim foi feito: com um portfólio consistente, ela começou a pegar trabalhos em editoras como free-lancer e ter tempo para se dedicar a seus pequenos. “Fui mãe de levar ao judô, ao balé, ao inglês, de brincar no chão, de fazer brinquedos com eles. Curti muito a maternidade, porque pude ser mãe mesmo. E só embarquei nessa porque tive um marido que foi companheiro o tempo todo”, afirma.

Além disso, a maternidade mostrou a Laíse que ela tinha paciência. “Eu desconfiava que seria mãe de berrar, de ter chilique. Mas fui paciente à exaustão”, garante.

Fonte: IG

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