Concessão de 30 anos vai modernizar 870 quilômetros, ampliar a segurança viária e melhorar o escoamento da produção no Estado
O Governo de Mato Grosso do Sul assinou nesta segunda-feira, 02, o contrato de concessão da Rota da Celulose, projeto estratégico que prevê a melhoria de 870 quilômetros de rodovias federais e estaduais no Estado. O acordo foi firmado com o Consórcio Caminhos da Celulose, declarado vencedor após a desclassificação da empresa inicialmente habilitada por inconsistências na documentação apresentada durante o processo licitatório.
A concessão abrange trechos das rodovias BR 262 e BR 267, além das estaduais MS 040, MS 338 e MS 395, consideradas fundamentais para o escoamento da produção agrícola e industrial da região leste de Mato Grosso do Sul. Ao todo, estão previstos R$ 10,1 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos, sendo R$ 6,9 bilhões destinados a obras de infraestrutura e R$ 3,2 bilhões a custos operacionais.
Segundo o cronograma apresentado na solenidade de assinatura, as obras já foram iniciadas com ações imediatas previstas no plano dos primeiros 100 dias de concessão. Entre os serviços estão roçada, poda e capina em mais de 2,1 milhões de metros quadrados, sinalização horizontal e vertical, instalação de tachas refletivas, limpeza de sistemas de drenagem, retirada de lixo e entulho, implantação de defensas metálicas e reparos emergenciais em cerca de 150 quilômetros de pavimento.
As intervenções de maior porte, como duplicações, implantação de acostamentos e faixas adicionais, estão previstas para começar a partir do segundo ano da concessão e serão executadas de forma gradual ao longo do contrato.
O Consórcio Caminhos da Celulose é formado pelas empresas XP Infra V Fundo de Investimento em Participações, CLD Construtora, Laços Detetores e Eletrônica Ltda., Conter Construções e Comércio S.A., Construtora Caiapó Ltda., Ética Construtora Ltda., Distribuidora Brasileira de Asfalto Ltda. e Conster Construções e Terraplanagem Ltda.
Durante o evento, o diretor-presidente da XP Investimentos, Luiz Fernando Vasconcellos de Donno, destacou que o projeto representa um avanço logístico para o Estado e para o País. Segundo ele, a concessão nasce com foco em investimentos estruturais, como duplicações, terceiras faixas, acostamentos e restauração completa do pavimento, suprindo déficits históricos da malha rodoviária contemplada.
Entre as inovações previstas estão sistemas modernos de sinalização, monitoramento tecnológico e a implantação do pedágio no modelo free flow, que permite a cobrança sem a necessidade de paradas em praças, garantindo maior fluidez no tráfego e redução da emissão de gases poluentes.
O governador Eduardo Riedel (PP) ressaltou que as concessões são fundamentais para elevar o nível de segurança viária. Ele destacou que, mesmo nos trechos que não receberem duplicação imediata, haverá melhorias significativas, como acostamentos em toda a extensão, faixas adicionais, sinalização adequada e suporte operacional contínuo.
De acordo com o projeto executivo, a Rota da Celulose inclui 115 quilômetros de duplicações, 457 quilômetros de acostamentos, 245 quilômetros de terceiras faixas, 12 quilômetros de vias marginais, 38 quilômetros de contornos urbanos, além da implantação de dispositivos viários, acessos, passagens de fauna e alargamento de pontes.
O projeto foi concebido pelo governo estadual para atender à crescente demanda logística da região leste, impulsionada pela instalação de grandes indústrias de celulose, como a megafábrica de Ribas do Rio Pardo, além de outras unidades do setor.
O processo licitatório passou por questionamentos após a desclassificação do consórcio inicialmente vencedor, em razão de problemas documentais relacionados a concessões federais anteriores. Após análise de recursos e pareceres técnicos, o Consórcio Caminhos da Celulose foi oficialmente habilitado e convocado para assumir a concessão, culminando na assinatura do contrato nesta semana.


