Valor apreendido pela Receita Federal em pouco mais de seis meses já é quatro vezes maior que o registrado durante todo o ano de 2025
As apreensões de canetas emagrecedoras dispararam em Mato Grosso do Sul em 2026. Dados da Receita Federal apontam que R$ 5,9 milhões em medicamentos foram apreendidos no Estado até 13 de julho, enquanto durante todo o ano de 2025 o valor havia sido de R$ 1,5 milhão.
Em pouco mais de seis meses, o montante apreendido já é quatro vezes superior ao registrado em todo o ano passado, uma diferença de aproximadamente R$ 4,4 milhões.
O crescimento acompanha uma tendência observada em todo o Brasil. Segundo levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo, a Receita Federal apreendeu mais de R$ 80 milhões em canetas emagrecedoras no primeiro semestre de 2026, contra R$ 4 milhões no mesmo período de 2025.
A procura crescente por medicamentos para emagrecimento, principalmente por versões mais baratas comercializadas no Paraguai, tem aumentado a preocupação das autoridades com a entrada irregular dos produtos no país.
Fronteira aumenta preocupação em MS
Em Mato Grosso do Sul, o cenário ganha atenção especial devido à extensa faixa de fronteira com o Paraguai, que facilita a circulação de produtos entre os dois países.
Medicamentos sem registro ou sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não podem entrar legalmente no Brasil. Além da fiscalização nas fronteiras, a Receita Federal também identificou o avanço da comercialização irregular pela internet, incluindo marketplaces e vendedores que não possuem autorização.
O problema também ganhou grandes proporções em Foz do Iguaçu, no Paraná, importante rota de entrada de produtos provenientes do Paraguai.
Entre maio e dezembro de 2025, foram apreendidas 7.479 unidades de ampolas e canetas emagrecedoras na região. Em 2026, o número chegou a 71.860 unidades, representando um aumento de 860,8%.
A principal preocupação das autoridades está relacionada à procedência dos medicamentos. Produtos que entram no país de maneira irregular não oferecem as mesmas garantias de origem, armazenamento, transporte e controle sanitário daqueles comercializados pelos canais autorizados.
Durante algumas fiscalizações, as canetas são encontradas escondidas em compartimentos de veículos. Em uma das operações divulgadas pela Receita Federal, agentes precisaram desmontar parte do acabamento interno da porta de um carro para localizar os medicamentos.
A comercialização fora dos canais oficiais também dificulta o controle sobre a autenticidade e as condições de conservação dos produtos.


