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Três Lagoas
quarta-feira, 30 de setembro, 2026

MST bloqueia BR 163 em MS e cobra avanço na reforma agrária

Manifestantes prometem manter interdição até chegada de representante do INCRA, onde congestionamento já atinge quilômetros nos dois sentidos.

Cerca de 200 manifestantes ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) interditaram, desde a madrugada desta quinta-feira, um trecho da BR 163 em Campo Grande (MS), distante 327 km de Três Lagoas. O bloqueio ocorre nas proximidades do Posto Locatelli e, segundo os organizadores, só será encerrado após uma resposta concreta às reivindicações, principalmente relacionadas à reforma agrária no Estado.

A mobilização começou por volta das 3h, com a rodovia sendo fechada entre os quilômetros 463 e 466, no sentido sul. Galhos queimados foram utilizados para impedir a passagem de veículos, enquanto manifestantes entoavam palavras de ordem cobrando agilidade nas políticas de distribuição de terras.

De acordo com a concessionária responsável pela rodovia, o congestionamento já alcança cerca de 5 quilômetros no sentido norte e 2 quilômetros no sentido sul.

O deputado federal Vander Loubet (PT) afirmou que articulou a vinda do presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, César Aldrighi, para dialogar com o grupo. A previsão é que a reunião ocorra ainda nesta sexta-feira, o que pode ser decisivo para a liberação da via.

Os manifestantes, no entanto, reforçam que não deixarão o local até que haja negociação direta com representantes do governo federal.

A manifestação é coordenada por lideranças femininas, com participação de entidades como a Federação dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais, União Geral dos Trabalhadores e outros movimentos sociais.

Segundo representantes do grupo, uma das principais demandas é a liberação de cerca de R$ 2 bilhões para aquisição de terras destinadas à reforma agrária em Mato Grosso do Sul. Eles afirmam que milhares de famílias aguardam há anos por acesso à terra e criticam a lentidão no andamento dos processos.

Apesar da interdição, veículos de emergência, como ambulâncias, estão sendo liberados para passar. Em um dos momentos do protesto, uma viatura do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi autorizada a seguir viagem, sendo aplaudida pelos manifestantes.

Dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) apontam que Mato Grosso do Sul possui atualmente 194 assentamentos, que abrigam cerca de 30 mil famílias. O último projeto criado foi em 2025, no município de Cassilândia. Antes disso, a última área havia sido implantada em 2013, em Sidrolândia.

A mobilização evidencia a pressão crescente por avanços na reforma agrária e deve continuar repercutindo até que haja uma definição nas negociações com o governo.

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