Editorial do Jornal Digital da Caçula, Edição 241 de 14 de março de 2026
No jornalismo, a gente aprende que toda boa história nasce de pessoas. E talvez seja por isso que o tema desta capa faça tanto sentido para mim.
Neste mês de março, enquanto celebramos o Dia Internacional da Mulher, também celebro um ciclo pessoal. No dia 14 completo mais um ano de vida — e, junto com ele, quase 16 anos trabalhando com comunicação. Comecei aos 19, movida por uma curiosidade enorme sobre o mundo e, principalmente, sobre as pessoas.
Sou, assumidamente, de humanas. Daquelas que acredita que conversar, ouvir e contar histórias é uma forma de construir pontes.
Mas, antes mesmo de entender o que era empreendedorismo, ele já fazia parte da minha vida. Cresci observando minha mãe vender pães e salgados para complementar a renda, depois abrir loja, mercearia, reinventar caminhos. Minha avó costurava mesmo depois da aposentadoria. Empreender, para elas, nunca foi palavra da moda — era necessidade, coragem e sobrevivência.
Talvez por isso eu também tenha seguido por esse caminho em alguns momentos da vida. Durante quase dez anos, empreendi com artesanato, criando peças em feltro e amigurumi — técnica japonesa de crochê que transforma fios em pequenos bonecos cheios de personalidade. Também tive uma loja de presentes e decoração e vivi a experiência de empreender em parceria dentro de um relacionamento.
Hoje percebo que todas essas fases me ensinaram algo essencial: empreender também é contar histórias. Histórias de tentativa, de reinvenção, de acreditar numa ideia antes mesmo de ela fazer sentido para os outros.
É por isso que o tema desta edição fala tanto comigo. O Sebrae Delas, destaque da nossa capa, mostra exatamente isso: mulheres que transformam talento, necessidade ou sonho em negócio, em autonomia e em futuro.
No fundo, talvez seja sobre isso que sempre escrevemos quando falamos de empreendedorismo feminino. Não apenas sobre empresas, números ou estratégias.
Mas sobre trajetórias.
Sobre mulheres.
E sobre as histórias que elas constroem todos os dias.
Augusta Rufino – Editora-chefe TEM 1208/MS


