31.1 C
Três Lagoas
quinta-feira, 5 de fevereiro, 2026

El Niño eleva risco de incêndios florestais em Mato Grosso do Sul em 2026

Fenômeno climático deve intensificar calor e irregularidade das chuvas, aumentando a ameaça ao Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica

A influência do fenômeno climático El Niño em Mato Grosso do Sul deve intensificar, ao longo de 2026, o risco de incêndios florestais nos principais biomas do Estado, como o Cerrado, a Mata Atlântica e, principalmente, o Pantanal. O fenômeno altera o regime de chuvas, eleva as temperaturas e modifica o padrão dos ventos, criando condições favoráveis para a propagação do fogo.

Em Mato Grosso do Sul, o El Niño atua de forma direta, com previsão de temperaturas mais elevadas, inclusive durante o inverno, além de provocar irregularidades nas chuvas. Diante desse cenário, o Estado conta com uma estrutura de resposta preparada, que envolve o uso de tecnologia, mobilização de equipes terrestres e aéreas, bases avançadas em áreas estratégicas e um planejamento focado em ações preventivas e de combate aos focos de incêndio.

Segundo a meteorologista Valesca Fernandes, do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), a situação tende a se agravar nos próximos meses, após um período de chuvas abaixo do esperado até janeiro. Embora desde o início de fevereiro alguns municípios tenham registrado volumes de chuva acima da média mensal, o alerta permanece.

Os dados que embasam o monitoramento são consolidados a partir de informações de 48 municípios, reunindo levantamentos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

“Em relação ao El Niño, o trimestre de fevereiro, março e abril indica condições de neutralidade. No entanto, no segundo semestre há indícios de retorno do fenômeno, o que pode favorecer temperaturas acima da média e ondas de calor”, explica Valesca. “Esse cenário coincide com o período seco, quando a umidade relativa do ar é muito baixa. A combinação de altas temperaturas, ondas de calor e baixa umidade pode intensificar significativamente a ocorrência de incêndios florestais”, completa.

O aumento de eventos climáticos severos é uma das principais características associadas ao El Niño, que influenciou os recordes de calor registrados entre 2023 e 2025. De acordo com o Cemtec, a previsão é de que o fenômeno volte a se desenvolver entre o fim do outono e o início do inverno, impactando diretamente o próximo período seco, que deve ter chuvas irregulares e abaixo da média histórica.

Diante desse cenário, o Governo de Mato Grosso do Sul mantém ações estruturadas de prevenção e combate aos incêndios florestais em todos os biomas. O trabalho do Corpo de Bombeiros é realizado por terra e pelo ar, com uso de aeronaves para combate às chamas em áreas de difícil acesso e para o transporte rápido de equipes.

A atuação também é reforçada pelo uso de tecnologia, com drones e análises de georreferenciamento, que se tornaram aliados importantes para tornar o controle e a extinção do fogo mais eficientes.

Durante a Operação Pantanal 2025, houve uma redução expressiva no número de focos de calor e na área atingida pelas chamas em Mato Grosso do Sul. Ao todo, pouco mais de 202,6 mil hectares foram queimados, número significativamente inferior ao registrado em 2024, quando mais de 2,3 milhões de hectares foram afetados pelo fogo.

A redução histórica é atribuída a um conjunto de fatores, como maior conscientização da população, fortalecimento da atuação interinstitucional, rapidez na resposta aos focos de incêndio e qualificação técnica das equipes. Somente no ano passado, cerca de mil brigadistas foram formados, além de condições climáticas ligeiramente mais favoráveis, mesmo diante do déficit hídrico persistente.

A atuação preventiva do Corpo de Bombeiros, com manejo do fogo, capacitações e a instalação de bases avançadas no Pantanal desde 2024, foi determinante para reduzir o tempo de resposta das equipes. Um exemplo é a base avançada instalada na região do Amolar, que tem contribuído de forma decisiva para a eficiência no combate aos incêndios.

Na fase operacional, os Bombeiros monitoraram 924 eventos de fogo detectados por satélite e combateram diretamente 88 deles, totalizando 1.105 ações de combate. Ao todo, 1.298 militares foram mobilizados, com apoio de 60 viaturas, para atender 4.391 ocorrências, a maioria em áreas urbanas e periurbanas.

“É importante ressaltar que, ao longo de todo o ano, o Corpo de Bombeiros manteve um padrão consistente de qualidade no trabalho. Em diversos casos, conseguimos combater focos de incêndio antes mesmo de serem registrados pelos sistemas de monitoramento via satélite”, destacou o subdiretor de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros, major Eduardo Teixeira.

com informações agência Gov.MS


Deu na Rádio Caçula? Fique sabendo na hora!
Siga nos no Google Notícias (clique aqui).
Quer falar com a gente? Estamos no Whatsapp (clique aqui) também.

Veja também

Três Lagoas recebe III Ação Fiscal contra discriminação da mulher no trabalho

Evento integra o III Colóquio Diálogo Social e ira debater a igualdade de oportunidades e enfrentamento à violência de gênero Três Lagoas será sede, no...

Hemosul de Três Lagoas convoca doadores de sangue tipo O positivo

Estoque está em nível crítico e unidade reforça importância da doação para garantir atendimento a pacientes

Investidores europeus visitam Parque do Pombo e conhecem áreas preservadas do Cerrado em Três Lagoas

Agenda ambiental apresentou formações do bioma cerrado e destacou ações de preservação e restauração ecológica no município