Anticorpo monoclonal passa a ser ofertado pelo SUS e amplia a proteção contra o vírus sincicial respiratório em recém-nascidos mais vulneráveis
Mato Grosso do Sul iniciou, nesta segunda-feira (2), a aplicação do imunizante contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite, em bebês prematuros e crianças com comorbidades atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). As primeiras doses foram aplicadas na Maternidade Cândido Mariano, em Campo Grande, marcando o início da estratégia estadual de proteção aos recém-nascidos mais vulneráveis.
Conhecido como nirsevimabe, o imunizante é um anticorpo monoclonal indicado para bebês nascidos com até 36 semanas e 6 dias de gestação, além de crianças com comorbidades como cardiopatias congênitas, síndrome de Down e fibrose cística, incluindo aquelas com até 24 meses de idade, conforme critérios do Ministério da Saúde. O objetivo é reduzir casos graves de bronquiolite e pneumonia, especialmente nos períodos de maior circulação do vírus.
Para os bebês prematuros, o esquema prevê dose única. Já as crianças com comorbidades recebem duas doses, aplicadas em períodos sazonais distintos. A medida busca diminuir internações hospitalares e a pressão sobre os leitos neonatais e pediátricos, cenário que se agravou nos últimos anos com surtos da doença.
A incorporação do imunizante integra a Rede de Imunobiológicos Especiais do SUS e representa um avanço significativo na saúde neonatal. Segundo a técnica da Coordenação Estadual de Imunização da SES, Maristela Chamorro, o nirsevimabe passa a ser ofertado de forma contínua no Estado. Antes do início da aplicação, a Secretaria de Estado de Saúde realizou um levantamento técnico sobre nascimentos prematuros e a capacidade das maternidades, garantindo a distribuição adequada das doses.
Nos demais municípios, o acesso ao imunizante ocorre por meio do Sistema E-Crie, plataforma digital da SES responsável pela solicitação e distribuição de imunobiológicos especiais aos 79 municípios sul-mato-grossenses. O Ministério da Saúde também autorizou o resgate vacinal para crianças nascidas a partir de agosto de 2025, desde que atendam aos critérios técnicos.
Na Maternidade Cândido Mariano, a aplicação ocorre semanalmente em unidades intermediárias e UTIs neonatais. A coordenadora de imunização, Keila Lacerda, destaca que o imunizante representa uma conquista importante, já que antes estava disponível apenas na rede privada. Ela ressalta ainda que a expectativa é de redução significativa das internações por bronquiolite.
A diretora técnica da maternidade, Karina Zucarelli, explica que a estratégia é complementar à vacinação das gestantes, aplicada a partir da 28ª semana de gestação. “Enquanto a vacina na gestante protege o bebê ainda durante a gravidez, o nirsevimabe garante proteção direta ao recém-nascido, ampliando o enfrentamento ao vírus nos primeiros meses de vida”, afirma.
Para as famílias, o impacto é direto. O imunizante, que na rede privada pode custar entre R$ 1.500 e R$ 3.500, passa a ser oferecido gratuitamente pelo SUS. Em Campo Grande, o acesso ocorre mediante contato prévio com a Sesau, enquanto no interior as orientações são fornecidas pelas Unidades Básicas de Saúde dos municípios.
A expectativa da SES é ampliar gradativamente a oferta, conforme a demanda e o número de nascimentos prematuros registrados em todo o Estado.
com informações agência Gov.MS


