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Três Lagoas
domingo, 3 de maio, 2026

Benedito: o vendedor de sorrisos (e paçoquinhas) do semáforo de Três Lagoas

Por Robson Trevisan

Quem passa pelo cruzamento das avenidas Olinto Mancini e Filinto Müller, em Três Lagoas (MS) com certeza, já foi abordado por Benedito José Claro.

Sempre sorrindo e esbanjando simpatia, ele oferece suas paçoquinhas de um jeito quase que irresistível. E se o possível cliente tiver desprovido, isso não é um problema para ele. Basta um sorriso que a paçoquinha está garantida.

De acordo com Benedito, todos os dias, mais ou menos cem, são distribuídas assim. “Não faz falta”, comenta.

Por incrível que pareça, tem gente que nem sabe que ele é “vendedor”. É o caso da Alexia Fernanda que passa por ali todos os dias e sempre “pegou” as paçoquinhas para levar para seus enteados.

Benedito, ao lado da esposa Mariana, que completa 37 anos hoje, 15.12 (Foto: Lucas Dias)

Hoje (15.12), no entanto, Alexia estranhou quando não viu Benedito e sua esposa, Mariana, no lugar de sempre. Curiosa, ficou sabendo que o casal tinha sido roubado na noite da última quinta-feira.

“Levaram mochila, dinheiro, doces, documentos e celular. Praticamente um dia inteiro de trabalho deles”, relatou Alexia.

Mesmo assim, Benedito não “deixou a peteca cair”. “Aprendi a agradecer à Deus por tudo, mesmo nas dificuldades. No dia seguinte, as coisas melhoram”, explica o vendedor que está em Três Lagoas há apenas nove meses.

“O começo foi difícil. Chegamos de Sete Lagoas (MG) e moramos duas semanas no acolhimento da prefeitura. Um dia, ganhei a doação de alguns doces e fui vender. Foi um desastre. Consegui seis reais”, lembra Benedito.

O desempenho pífio não foi suficiente para desanimá-lo. Ele se recorda que voltou ao acolhimento e, ao lado da esposa Mariana, agradeceram à Deus.

No dia seguinte, o resultado foi melhor: 30 reais. “Em nove dias, conseguimos o dinheiro suficiente para alugar uma quitinete. De lá pra cá, mesmo nas dificuldades, confiamos em Deus e as coisas melhoram”, relata.

Foi esse otimismo que “tocou o coração” de Alexia. Depois de ficar sabendo do roubo, decidiu fazer duas surpresas para o amigo “desconhecido” e convidou o casal para tomar um refrigerante na conveniência do posto de gasolina.

Chegando lá, um bolo de aniversário esperava o casal para um “parabéns”: Mariana comemora 37 anos de vida hoje. A outra surpresa: um novo aparelho de celular.

A timidez não foi suficiente para esconder o sorriso da companheira que agora também acompanha Benedito nas vendas. “Fazemos praticamente tudo juntos”, comenta Benedito.

Da lavoura para o semáforo

Para quem começou a trabalhar com oito anos de idade nas lavouras de café da região de Marília, Benedito aparenta estar muito bem, aos 50 anos. No entanto, foram fortes dores nas costas que o “tiraram” do mercado de trabalho convencional.

“Eu travei. Não consegui andar nem me mexer por quase dez dias”, lembra. Depois disso, ele acabou descobrindo uma doença cardíaca que o impede de esforços mais intensos.

A necessidade fez ele se “encontrar” com as vendas. “Me apaixonei pelo que faço hoje”, comenta Benedito avisando que tem novos planos para 2024. “No início do ano vamos montar algo, no ramo de vendas mesmo”, anuncia o futuro empreendedor.

Questionado se vai abandonar o semáforo ele responde com os olhos marejados: “Não posso. Tem pessoas que passam por ali só pra receber um bom dia”, conta lembrando de uma história que tocou muito o seu coração.

“Tem um homem. Acho que ele é fazendeiro, deve ter uns 45 anos mais ou menos. Ele sempre passou ali com os vidros fechados e um dia comentou comigo que não tinha motivo para sorrir. Aos poucos, ele foi se abrindo e sei que o bom dia fez a diferença na vida dele”, finaliza.

Nota da Redação: O casal ganhou um novo aparelho de celular mas ainda está migrando o número antigo (14 98172-1715) para um chip novo. E esse número, também é pix. Quanto vale um sorriso?

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