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Trabalhar no trânsito causa mais danos à saúde, diz estudo

Geral – 28/08/2012 – 07:08

Taxistas, fiscais da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e pessoas que trabalham diariamente no trânsito de São Paulo estão mais expostas a problemas de saúde, segundo um estudo do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da USP (Universidade de São Paulo).

Pesquisadores do laboratório, ligado à Faculdade de Medicina da USP, monitoraram 81 trabalhadores do trânsito paulistano (57 taxistas e 24 fiscais de tráfego da CET) por dois anos para medir os efeitos da poluição no organismo.

Cerca de 90% deles tiveram ardor e queimação nos olhos, além de alteração na composição das lágrimas e outros problemas, afirma Maria Lúcia Bueno Garcia, professora de medicina da USP e uma das responsáveis pelo estudo.

“Em quase todos eles encontramos sintomas oculares, ardor, queimação, latejamento. Eles tinham a pele seca, tosse e uma cor de catarro mais escura, além de obstrução nasal”, diz a professora. “A lágrima produzida por esses indivíduos têm menos proteção para o olho, pela presença em menor grau de uma proteína de defesa.”

Câncer

Também foi identificada alteração nos micronúcleos das células da boca dos pesquisados. O problema aumenta a propensão a mutações genéticas e facilita o aparecimento de câncer, de acordo com a pesquisadora.

Cerca de 80% dos pesquisados relataram problemas na mucosa do nariz, como inflamação e obstrução nasal, afirma Maria Lúcia.

Com relação à pressão, cada um dos indivíduos recebeu um aparelho que fazia medições de 15 em 15 minutos. Segundo a professora, a maioria deles apresentou pressão mais alta que o comum.

Foram encontrados problemas vasculares nos trabalhadores, segundo a docente da USP. “Nesses indivíduos expostos à poluição, os vasos sanguíneos tem mais dificuldade de abertura, ficam mais fechados do que o normal”, diz ela. O problema é um fator de predisposição para a arteriosclerose, doença que se caracteriza pelo endurecimento da parede das artérias.

O estudo avaliou a saúde de dois indivíduos por semana durante quatro dias úteis, o que totalizou oito avaliados por mês, segundo a pesquisadora. Os trabalhadores passaram pelo monitoramento mais de uma vez ao longo da pesquisa. “A avaliação ocorria durante o dia de trabalho, justamente para pegar o momento de maior contato com a poluição”, afirma Maria Lúcia.

Capitaneada pelo professor de medicina da USP Paulo Saldiva, a pesquisa contou com a participação de cientistas da Universidade Harvard, dos EUA, e da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Os dados ainda não foram publicados porque ainda estão sendo feitas análises, diz Maria Lúcia.

Importante, mas insuficiente

Na avaliação da pesquisadora, as medidas adotadas pelo poder público para melhorar o ar da capital paulista até agora foram importantes, mas não suficientes para evitar problemas de saúde das pessoas que estão todos os dias nas ruas.

“Apesar de a poluição ter diminuído, o número de veículos está crescendo”, afirma a pesquisadora. “Os controladores de tráfego [da CET] trabalham nos corredores e ficam andando, então eles respiram mais rápido e inalam mais poluição.”

A pesquisadora pondera que a poluição e a consequente incidência de problemas de saúde depende do dia e da época do ano. “Isso varia de sazonalidade. Com a chuva melhora, mas com o clima seco a poluição aumenta. Então depende do clima e depende do dia”, diz ela.

Fonte: Do Globo Natureza, em São Paulo / Divulgação

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