Léia acompanha de perto Juju, que há 1 anos e 6 meses sofreu um acidente neurológico irreversível e interrompeu vários sonhos
18/01/2021 08h34
Por: Deyvid Santos
CAMPO GRANDE (MS) – A mãe Léia Francisca de Araujo e sua filha Juliane sempre foram melhores amigas uma para a outra. Faziam tudo juntas e compartilhavam sonhos. Para a menina, o maior deles era o de entrar na sua festa de 15 anos vestida como debutante, mas calçando um confortável par de tênis All Star. O que ninguém imaginava é que o acidente neurológico interromperia esse sonho.
Vítima de uma doença neurológica rara, ela não fala ou se movimenta mais. Perdeu a independência assim como a autonomia, e está – desde então – confinada a uma cadeira de rodas. A futura debutante voltou a ser “um bebê”, nas palavras da mãe.
Porém, se o amor tudo cura, o de Léia permanecesse sendo o seu maior alicerce. “Não consigo ver a Ju de uma maneira diferente. Sei que ela ainda está lá dentro. No exterior, a sua aparência mudou, é claro, mas procuro sempre focar no seu sorriso. Essa imagem segue sendo minha melhor companheira”.
“Ju foi um milagre de Deus”, afirma a mãe e dona de casa de 41 anos sobre a filha estar viva. Ao lado do marido Antonio Regivan – mais conhecido pelo apelido de “Ivan” –, funcionário de um frigorífico da Capital, os dois sabem bem o que “milagre” quer dizer. Ninguém da equipe médica escondeu aos dois sobre a gravidade do quadro da filha: “ela pode partir a qualquer momento”, relembram.
Em 21 de agosto de 2019 a vida da família mudou da água pro vinho. Cerca de 48 horas antes, era para ser um dia como qualquer outro. Juju foi para a escola e de lá nunca mais voltou a mesma. No início da semana, a menina reclamou de uma forte dor de cabeça, que piorava conforme os dias iam passando. Porém, naquela manhã, ela tinha acordado mais disposta e foi para a aula.
Quando a diretora da escola ligou para Léia dizendo que a filha tinha desmaiado e estava desacordada, foi uma surpresa. “Mas achei que fosse o fato de ela não ter tomado café da manhã”, julgou. À época, a mãe fazia curso técnico de enfermagem – o que ela acredita ser um “preparo” para o que viria acontecer. Ao chegar, ela encontrou a filha com a pupila dilatada e convulsionando frequentemente.
“Eu sabia que era grave, mas também sabia que precisava ser forte e manter a calma”, disse Léia. O socorro levou 30 minutos para chegar, e foram direto para a Santa Casa de Campo Grande. “Foi aí que a ficha caiu e desesperei: minha menina estava entre a vida e a morte”.
Foram 3 meses de hospitalização, sendo que as primeiras 24 horas foram decisivas, assim como as que se seguiram. Léia e Ivan foram informados que Juliane tinha uma condição congênita chamada MAV (malformação arteriovenosa), que consiste na ligação anormal de veias e artérias.
Por terem pressões incompatíveis e carregarem sangues de diferentes usos (com ou sem oxigênio), a ruptura nesse “emaranhado” é iminente, e o paciente com MAV não possui a rede de capilares que serve de amortecimento. Podendo desenvolver em qualquer parte do corpo, ocorre mais frequentemente na medula espinhal e no cérebro – justamente o caso da menina.
A primeira cirurgia de Juju demorou 5 horas, e na sala de espera todo mundo aguardava aflito. “Foi o que me deu forças, o amor de Deus e o da família. A lesão era grande e o sangramento constante. Ninguém dormiu naquela noite. Tinha medo do celular tocar e eu receber a notícia que não queria ouvir”, confessa.
Segundo a mãe, pela medicina a filha “vegetaria”, mas já após a operação a pupila de Juju regrediu e até certos movimentos corporais eram observados – um milagre até para a equipe médica. Passaram 16 dias em que a menina ficou internada na UTI (unidade de terapia intensiva) recuperando, até que ela desenvolveu uma infecção pós-cirúrgica. Isso sem falar posteriormente no quadro de hidrocefalia. “Todo mundo me dizia: reze, porque vai precisar. Naquele momento, a fé me bastava”, considerou.
O acidente neurológico aconteceu em agosto. Passados 2 meses, veio a tão sonhada cranioplastia, porque Juju havia ficado com uma deformação na estrutura óssea da cabeça – um “buraco”. Porém, após tentativa de se preencher o defeito, ela adquiriu rejeição do material e corria sério risco de uma nova infecção. Com a falta dessa “tampa” protetora, a menina passa pela chamada síndrome do trefinado, condição que cada vez mais agrava seu déficit motor, cognitivo e linguístico.
“Me informaram que a única possibilidade seria um a de um material totalmente novo, específico para o caso dela, mas que custa R$ 100 mil. Está sendo batalha para conseguir, mas estamos com uma vaquinha virtual e, se Deus permitir, há de ser possível concluí-la”, acredita a mãe.
Informações do site Campo Grande News





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