23/07/2013 – Atualizado em 23/07/2013
Por: Universo Feminino by Lídia Campos
Você já deve ter ouvido a frase: “não grite sua felicidade, pois a inveja tem sono leve”.
Pode até parecer um daqueles ditados pessimistas, mas às vezes ele até tem fundamento. E para justificar a existência desse sentimento, que, na maioria das vezes, é destrutivo, a psicanalista Priscila Gasparini, doutora em depressão pela USP, explicou como a inveja surge e o que ela é capaz de causar na vida das pessoas.
Há pessoas que tem inveja desde muito cedo e outras que aparentemente não tem inveja de nada nem ninguém ao longo da vida. Existe algum fator genético responsável por esse sentimento?
Não existe componente genético para desencadear o sentimento de inveja nas pessoas. Há um estudo sobre a inveja, que a considera um sentimento universal, cuja intensidade depende das interações sujeito-objeto. Quando o indivíduo compara sua vida com a do outro e se frustra, aciona seus mecanismos de defesa, e gera uma tendência em não se reconhecer como invejoso. Esta inveja acaba gerando uma imensa tristeza, ansiedade e revolta. Reações de inveja são desvinculadas de classe cultural, social ou econômica, e esse desajuste (em um nível elevado) pode ser em razão de transtornos de saúde mental.Já os indivíduos que não possuem inveja, conseguem se satisfazer com suas conquistas e serem felizes sem ter que comparar sua vida com a do outro.
Que males o sentimento de inveja pode trazer? Esses efeitos podem se tornar psicossomáticos?
O indivíduo invejoso procura fora o objeto de desejo, o que o outro tem é sempre o melhor, o ideal, o que o faria feliz, e com isso não encontra sentido para sua vida. Não olhando para sua vida, ignora o que tem e sempre está insatisfeito, se coloca sempre no papel de coitado e pode se deprimir com tanta frustração. Neste caso é muito comum associar sintomas psicossomáticos ao quadro de depressão. O indivíduo passa a se sentir exausto, com dores corpo, fica prostrado, sem ânimo para nada.Neste momento é imprescindível iniciar um tratamento psicológico, para aprender a lidar com a situação, e reconhecer o que está acontecendo para encontrar a felicidade melhorando sua autoestima.
Existe a despretensiosa “inveja branca”?
Sim. Quando o indivíduo admira alguém e a partir daí, busca forças para conquistar as mesmas coisas a que o outro conquistou, como por exemplo, um bom profissional, se for o objeto de admiração, faz com que o indivíduo volte a estudar, se forme e se torne um bom profissional também. Seria uma inveja boa, no sentido de admirar, tê-lo como exemplo, e ser um fator motivador.
Há algum modo de controlar a inveja? A máxima “morrer de inveja” pode se tornar literal?
A base da inveja é acreditar que aquilo que não temos e que o outro tem nos faria plenamente felizes e completos. Pensando dessa maneira, o indivíduo possui uma extrema baixa autoestima,como se fosse incapaz de conquistar o objeto do desejo e ser feliz. Se frustrando, ele corre o risco de se deprimir, onde ocorre uma baixa na produção de neurotransmissores, e se não for tratado acaba somatizando vários sintomas, podendo se transformar em uma depressão profunda, o que pode colocar a vida da pessoa em risco. Há muitos casos de pessoas que se tornam alcoólatras, ou dependentes de drogas, podendo chegar ao extremo , que são os suicidas. Mas tudo isso se não for tratado adequadamente.
Em casos de frustração e inicio de depressão é imprescindível buscar tratamento psicológico, onde esse quadro será revertido e o individuo voltará a ter qualidade de vida.
Bjos… Lídia Campos



