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Três Lagoas
quarta-feira, 28 de outubro, 2026

Três-lagoense Stéphanie Gobato é eleita uma das 100 mulheres mais poderosas do agro pela Forbes

Engenheira agrônoma reforça a importância da liderança feminina, da capacitação e da união dos produtores rurais

A engenheira agrônoma Stéphanie Ferreira Gobato, integrante da diretoria da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) e presidente da Comissão Nacional das Mulheres do Agro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), participou, na terça-feira (27), do Jornal da Caçula, da Rádio Caçula FM, em Três Lagoas. Durante a entrevista, ela falou sobre o reconhecimento nacional concedido pela revista Forbes, os desafios do agronegócio e a importância de ampliar a participação feminina nos espaços de decisão do setor.

Natural de Três Lagoas, Stéphanie integra a segunda edição da lista As 100 Mulheres Poderosas do Agro, publicada pela Forbes Brasil em outubro de 2026. A seleção reúne mulheres que se destacam em diferentes áreas do agronegócio, incluindo produção rural, pesquisa, gestão empresarial, representação institucional e política.

Durante a conversa com a equipe da rádio, a engenheira agrônoma contou que recebeu a notícia com surpresa, após a divulgação da lista. Ela destacou que o reconhecimento representa não apenas uma conquista pessoal, mas também o resultado de um trabalho coletivo desenvolvido ao longo dos anos.

“Foi uma surpresa muito grande”, afirmou Stéphanie ao recordar o momento em que encontrou seu nome na publicação. Segundo ela, a presença de mulheres que são referências nacionais no setor tornou a conquista ainda mais significativa e reforçou o senso de responsabilidade em sua atuação.

TRAJETÓRIA E EVOLUÇÃO

Integrante da quarta geração de uma família de pecuaristas, Stéphanie acompanha de perto as transformações do agronegócio brasileiro. Formada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), com passagem pela Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, ela atua em iniciativas relacionadas ao manejo e à recuperação de pastagens degradadas, com foco em uma pecuária mais tecnológica e sustentável.

Na entrevista, a profissional destacou a evolução do setor ao longo das gerações, desde o período de expansão da atividade agropecuária em Mato Grosso do Sul até os desafios atuais de gestão e produtividade.

Entre os principais obstáculos enfrentados pelos produtores, ela citou o aumento dos custos de produção, as dificuldades relacionadas ao clima, o acesso ao crédito rural e a necessidade de ampliar a cobertura do seguro rural.

Para Stéphanie, o cenário exige cada vez mais planejamento e eficiência na gestão das propriedades, além de políticas e instrumentos que ofereçam melhores condições para o desenvolvimento das atividades agropecuárias.

MULHERES EM DESTAQUE

À frente da Comissão Nacional das Mulheres do Agro da CNA desde 2023, Stéphanie trabalha para ampliar a participação feminina na representação sindical rural e incentivar a formação de novas lideranças.

Durante a entrevista, ela ressaltou que as mulheres sempre tiveram participação importante no trabalho rural, embora historicamente tenham recebido menos visibilidade do que os homens. Segundo ela, esse cenário vem mudando, com um número crescente de mulheres assumindo a gestão de propriedades, liderando negócios e participando de decisões estratégicas.

A engenheira agrônoma também destacou a atuação da comissão nacional, que conta com 54 representantes distribuídas pelos estados brasileiros. O trabalho busca aproximar as produtoras dos espaços de representação e mostrar que a participação feminina deve ir além das atividades realizadas dentro das propriedades.

Stéphanie também citou a importância da capacitação para fortalecer a presença das mulheres no agronegócio. Entre as iniciativas está a Jornada de Liderança Feminina no Agro, lançada em 2026, com atividades voltadas à gestão, comunicação, liderança e representação institucional.

SINDICATO RURAL

Outro tema abordado foi o papel do Sindicato Rural de Três Lagoas e do sistema sindical rural na defesa dos interesses dos produtores, independentemente do porte da propriedade ou da atividade desenvolvida.

Stéphanie explicou que a atuação conjunta entre sindicatos, federações e a CNA permite levar demandas do setor às esferas municipal, estadual e nacional. Segundo ela, a união fortalece a representação dos produtores em pautas como segurança jurídica, defesa da propriedade privada e questões tributárias.

A dirigente também destacou o trabalho do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que oferece cursos gratuitos de formação profissional, capacitações técnicas e ações de promoção social. As iniciativas contribuem para a qualificação dos trabalhadores do campo e para o desenvolvimento de novas oportunidades de geração de renda.

Em Três Lagoas, a estrutura do Sindicato Rural também busca ampliar o acesso da população à formação profissional, com cursos e melhorias voltadas ao atendimento dos produtores e da comunidade.

Durante a conversa, Stéphanie reforçou que a agricultura, a pecuária e outras atividades ligadas ao campo fazem parte de um mesmo setor, mesmo diante das mudanças econômicas e produtivas da região. Para ela, a diversificação das atividades não elimina a importância da identidade e da representação dos produtores rurais.

MENSAGEM

Ao deixar uma mensagem aos produtores de Três Lagoas, Stéphanie defendeu o fortalecimento dos sindicatos rurais e a participação ativa nas entidades representativas. Ela ressaltou que estar presente nesses espaços permite que os interesses da categoria sejam defendidos e que os próprios produtores contribuam para as decisões que afetam o futuro do setor.

A engenheira agrônoma também direcionou um recado aos estudantes e jovens interessados em construir uma carreira no agronegócio. Segundo ela, o setor oferece oportunidades para profissionais de diferentes formações, não apenas nas áreas de agronomia e zootecnia.

A recomendação é investir continuamente nos estudos, participar de iniciativas do setor, acompanhar as ações das entidades rurais e construir redes de relacionamento profissional.

Para Stéphanie, o reconhecimento nacional deve ser consequência de um trabalho comprometido com o coletivo, e não o objetivo principal de quem busca ocupar posições de liderança.

Ela ainda destacou a satisfação de compartilhar a conquista com sua cidade e seu estado. A presença na lista da Forbes, segundo a dirigente, representa um trabalho construído com a contribuição de diversas pessoas e instituições ao longo de sua trajetória.

Além de Stéphanie Gobato, Mato Grosso do Sul também está representado na seleção de 2026 por Mariana de Aragão Pereira, chefe-geral da Embrapa Gado de Corte, e pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), reforçando a presença de lideranças do estado em diferentes áreas do agronegócio brasileiro.

Por AUGUSTA RUFINO

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