Fiscal Tiago Toshio alerta para denúncias conscientes e reforça que ação busca proteger a saúde pública e a segurança dos bairros
A fiscalização de terrenos baldios em Três Lagoas segue intensificada em 2026 e já ultrapassou a marca de 900 multas aplicadas a proprietários que não mantiveram seus imóveis limpos. O balanço foi apresentado pelo fiscal de Obras e Posturas da Prefeitura, Tiago Toshio, durante entrevista ao Jornal da Caçula, nesta terça-feira, 12, na 96 Caçula.
Segundo Tiago Toshio, o problema dos terrenos abandonados vai além do mato alto. Ele destacou que esses locais podem favorecer a proliferação do mosquito da dengue, além de servirem como pontos de descarte irregular de objetos, esconderijo para pessoas mal-intencionadas e abrigo para animais peçonhentos, como escorpiões. “O problema não é só o mato em si. Existem vários riscos para a vizinhança e para toda a comunidade”, afirmou.

De acordo com o fiscal, o trabalho ocorre durante todo o ano, mas ganha reforço entre janeiro e junho, período em que as chuvas aceleram o crescimento da vegetação nos terrenos baldios.
Ele explicou que, apesar do alto número de multas, o objetivo da fiscalização não é arrecadatório, mas educativo e preventivo. “A Prefeitura não lucra com isso. Pelo contrário, gasta com combustível, servidores, estrutura e, em muitos casos, precisa usar dinheiro público para limpar terrenos particulares”, ressaltou.
Nos casos considerados críticos, quando o proprietário não toma providências, a Prefeitura realiza a limpeza e depois cobra o valor do responsável. No entanto, segundo Tiago Toshio, esse ressarcimento costuma ser lento e burocrático, podendo envolver recursos administrativos e ações judiciais.
Ele criticou a postura de proprietários que aguardam a valorização imobiliária, mas não investem na manutenção básica do terreno. “Muitos querem apenas o bônus da valorização, mas não assumem o custo de cuidar do imóvel”, pontuou.
A fiscalização também depende da colaboração dos moradores. O município recebe denúncias diárias e orienta que a população informe corretamente o endereço, bairro, ponto de referência e, se possível, a localização via WhatsApp.
Tiago Toshio reforçou ainda que todas as informações dos denunciantes são sigilosas, seguindo a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Durante a entrevista, o fiscal também alertou para denúncias motivadas por desavenças entre vizinhos. Segundo ele, equipes têm sido deslocadas até locais onde o terreno não apresenta irregularidades, o que gera desperdício de recursos públicos. “Vamos denunciar, sim, mas de forma consciente. O canal é importante para ajudar a cidade, não para prejudicar terceiros”, destacou.
A Prefeitura reforça que manter terrenos limpos é obrigação legal dos proprietários e uma medida essencial para combater doenças como dengue, zika e chikungunya, além de melhorar a segurança e a qualidade de vida nos bairros de Três Lagoas.


