30/07/2014 – Atualizado em 30/07/2014
Raiz é considerada novo “ouro branco”. Para render mais lucro índios e paraguaios fazem trabalho quase escravo
Por: Diario Digital
O Ministério Público do Trabalho está mapeando as lavouras de mandioca de Mato Grosso do sul. A procuradoria quer identificar onde estão as plantações para poder intensificar as fiscalizações. A medida está sendo tomada devido ao aumento de flagrantes de trabalhadores em situação degradante no estado.
O procurador do MPT, Jeferson Pereira, afirma que encontrou trabalhadores em situação análoga à escravidão. “Resgatamos pessoas que estavam trabalhando sem a menor dignidade. Áreas sem banheiro, sem bebedouro. Lavradores em longas jornadas, sem equipamentos de segurança, uma situação desumana”, destaca o procurador.
Os dados do ministério do trabalho e emprego, que apoia o mapeamento do MPT, dão dimensão do problema. Em 2013 foram registrados mais de 700 autos de infração relacionados à saúde dos lavradores, quase 400 por causa de ilegalidade trabalhista e mais de 600 devido a irregularidades quanto ao uso de equipamentos de segurança.
Nos últimos dois anos o foco das irregularidades está nas lavouras de mandioca. É que neste período houve uma valorização no preço da raiz, que saiu da casa dos R$200 reais e saltou para R$420 por tonelada. Aumento que despertou a atenção dos produtores.
O auditor fiscal do trabalho, Carlos Alberto Sfeir, diz que a exploração da mão de obra em plantações de mandioca está crítica.“Enquanto produtores ganham dinheiro com a produção de mandioca, temos trabalhadores ganhando salário miserável em longas jornadas de trabalho. Conseguimos resgatar alguns, mas sabemos que ainda tem muitos outros nessa situação pelo Estado”, acrescenta o auditor.
Atualmente são 1.600 produzindo a raiz no Estado, segundo o levantamento do MPT. O lucro da mandioca é tão alto que a raiz passou a ser chamada de novo “ouro branco” de Mato Grosso do Sul. O problema é que o investimento nas plantações não acompanhou a legalização dos trabalhadores, muito menos em proporcionar condições dignas para o serviço.
A família de Epitacio Silva de Souza é marcada pelas consequências do trabalho ilegal. Colhendo mandioca o indígena, a esposa e a filha já machucaram a perna, mãos e braços. Cortar a raiz é tradição entre os índios e muitas vezes é o único trabalho que muitos conseguem./ e mesmo sem registro ou recebendo pouco é o que sustenta a família. “Eu nunca usei equipamento de segurança, nem sei como é. Mas tem que trabalhar para ganhar dinheiro”, explica o guarani.
Os fiscais dizem que encontrar as lavouras de mandioca é a maior dificuldade enfrentada para por um fim a tantas irregularidades. Em mato grosso do sul são mil 656 produtores da raiz cadastrados. E o cultivo não tem uma data específica determinando quando é a safra. Por isso estão fazendo o mapeamento para depois intensificar as fiscalizações.



