Quem foi ao supermercado ou à feira nos últimos dias pode ter levado um susto ao conferir o preço do tomate. Em alguns estabelecimentos, o quilo já se aproxima dos R$ 20, fazendo com que um dos alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros pese ainda mais no orçamento familiar.
A alta não é apenas uma percepção dos consumidores. O produto vem registrando aumentos expressivos desde setembro, e o cenário é resultado principalmente de problemas climáticos nas regiões produtoras, redução da oferta e dificuldades enfrentadas pelas lavouras.
Chuvas e doenças prejudicaram as plantações
Um dos principais fatores para a disparada dos preços foi o excesso de chuvas em importantes regiões produtoras. As precipitações prejudicaram a qualidade dos frutos, dificultaram a colheita e favoreceram o aparecimento de doenças nas plantações.
Entre os problemas identificados estão doenças bacterianas, como a mancha-bacteriana e a pinta-bacteriana. A umidade elevada também dificulta a aplicação de defensivos agrícolas e o controle dessas doenças, comprometendo parte da produção.
Além disso, temperaturas mais baixas em determinados períodos atrasaram o amadurecimento dos tomates. Com menos frutos prontos para a colheita, a quantidade disponível para abastecer supermercados e feiras diminuiu.
Área plantada menor também pressiona os preços
Outro fator importante é a redução da área destinada ao cultivo. Levantamentos do setor apontam que os produtores diminuíram o plantio pelo segundo ano consecutivo, depois de enfrentarem prejuízos em safras anteriores.
Com uma área menor e produtividade prejudicada pelo clima, o mercado passou a receber menos mercadoria justamente em um período no qual normalmente haveria maior disponibilidade do produto.
Em Mato Grosso do Sul, alta também chegou ao atacado
A situação já aparece nas Centrais de Abastecimento de Mato Grosso do Sul (Ceasa/MS). Em outubro, a caixa de tomate saladete passou de R$ 120 para R$ 200. Já o tomate rasteiro subiu de R$ 90 para R$ 160, enquanto algumas variedades de longa vida ultrapassaram R$ 200 por caixa.
Os valores variam conforme a variedade, a qualidade e as condições de comercialização. O aumento no atacado acaba pressionando também o preço cobrado do consumidor final.
Tomate subiu quase 38% em setembro
A dimensão da alta também foi registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em setembro de 2026, o tomate apresentou aumento de 37,76%, uma das maiores pressões sobre os alimentos consumidos dentro de casa naquele mês.
Na última semana de outubro, o mercado atacadista voltou a registrar fortes reajustes. Em Campinas, por exemplo, o tomate longa vida subiu 41,7% entre os dias 26 e 30 de outubro, chegando a R$ 247,66 por caixa.
Quando o preço vai baixar?
Ainda não existe uma previsão segura para uma queda significativa. A recuperação depende da melhora das condições climáticas, do controle das doenças nas lavouras e da entrada de novos volumes de tomate no mercado.
Até que a oferta seja normalizada, o consumidor deve continuar enfrentando preços elevados e oscilações entre supermercados, feiras e estabelecimentos comerciais.
Para muitas famílias, a sensação é de que nem mesmo nos períodos mais difíceis da pandemia o tomate chegou a pesar tanto no bolso. Embora essa comparação dependa dos preços praticados em cada cidade e época, a alta atual chama a atenção pela velocidade e pela dimensão dos reajustes.


