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quinta-feira, 5 de novembro, 2026

Tomate chega perto de R$ 20 o quilo e assusta consumidores; entenda por que o preço disparou

Quem foi ao supermercado ou à feira nos últimos dias pode ter levado um susto ao conferir o preço do tomate. Em alguns estabelecimentos, o quilo já se aproxima dos R$ 20, fazendo com que um dos alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros pese ainda mais no orçamento familiar.

A alta não é apenas uma percepção dos consumidores. O produto vem registrando aumentos expressivos desde setembro, e o cenário é resultado principalmente de problemas climáticos nas regiões produtoras, redução da oferta e dificuldades enfrentadas pelas lavouras.

Chuvas e doenças prejudicaram as plantações

Um dos principais fatores para a disparada dos preços foi o excesso de chuvas em importantes regiões produtoras. As precipitações prejudicaram a qualidade dos frutos, dificultaram a colheita e favoreceram o aparecimento de doenças nas plantações.

Entre os problemas identificados estão doenças bacterianas, como a mancha-bacteriana e a pinta-bacteriana. A umidade elevada também dificulta a aplicação de defensivos agrícolas e o controle dessas doenças, comprometendo parte da produção.

Além disso, temperaturas mais baixas em determinados períodos atrasaram o amadurecimento dos tomates. Com menos frutos prontos para a colheita, a quantidade disponível para abastecer supermercados e feiras diminuiu.

Área plantada menor também pressiona os preços

Outro fator importante é a redução da área destinada ao cultivo. Levantamentos do setor apontam que os produtores diminuíram o plantio pelo segundo ano consecutivo, depois de enfrentarem prejuízos em safras anteriores.

Com uma área menor e produtividade prejudicada pelo clima, o mercado passou a receber menos mercadoria justamente em um período no qual normalmente haveria maior disponibilidade do produto.

Em Mato Grosso do Sul, alta também chegou ao atacado

A situação já aparece nas Centrais de Abastecimento de Mato Grosso do Sul (Ceasa/MS). Em outubro, a caixa de tomate saladete passou de R$ 120 para R$ 200. Já o tomate rasteiro subiu de R$ 90 para R$ 160, enquanto algumas variedades de longa vida ultrapassaram R$ 200 por caixa.

Os valores variam conforme a variedade, a qualidade e as condições de comercialização. O aumento no atacado acaba pressionando também o preço cobrado do consumidor final.

Tomate subiu quase 38% em setembro

A dimensão da alta também foi registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em setembro de 2026, o tomate apresentou aumento de 37,76%, uma das maiores pressões sobre os alimentos consumidos dentro de casa naquele mês.

Na última semana de outubro, o mercado atacadista voltou a registrar fortes reajustes. Em Campinas, por exemplo, o tomate longa vida subiu 41,7% entre os dias 26 e 30 de outubro, chegando a R$ 247,66 por caixa.

Quando o preço vai baixar?

Ainda não existe uma previsão segura para uma queda significativa. A recuperação depende da melhora das condições climáticas, do controle das doenças nas lavouras e da entrada de novos volumes de tomate no mercado.

Até que a oferta seja normalizada, o consumidor deve continuar enfrentando preços elevados e oscilações entre supermercados, feiras e estabelecimentos comerciais.

Para muitas famílias, a sensação é de que nem mesmo nos períodos mais difíceis da pandemia o tomate chegou a pesar tanto no bolso. Embora essa comparação dependa dos preços praticados em cada cidade e época, a alta atual chama a atenção pela velocidade e pela dimensão dos reajustes.

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