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Solidariedade e união ajudam alunos da UFSM a superar tragédia da Kiss

Geral – 10/02/2013 – 14:02

“Enfrentamos juntos tudo isso e juntos vamos superar”. A faixa estendida em frente ao prédio da União Universitária da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) mostra como a instituição lida com o trauma causado pelo incêndio na boate Kiss, na madrugada de 27 de janeiro, que matou 238 pessoas, 116 acadêmicos da universidade do Rio Grande do Sul.

No campus da UFSM, os alunos do Centro de Ciências Rurais (CCR), onde estudava a maior parte das vítimas, têm fama de festeiros. Segundo a psicóloga Camila Schmitt Pires, que trabalha na universidade há três anos, eles têm facilidade de integração, e isso pode contribuir para amenizar a dor de estudantes e professores.

“Eles são sempre muito envolvidos com festas. Fazem confraternizações tanto no campus quanto fora”, conta ao G1 a psicóloga Camila Schmitt Pires, que trabalha há três anos na instituição e desde o recomeço das aulas atua no Centro de Acolhimento montado para atender alunos abatidos pela tragédia. Ela explica que a característica dos alunos do prédio 42 da universidade é importante para que eles retomem a rotina. “Há uma união muito grande entre eles, e isso faz com que eles superem juntos”, conta.

Ao final da primeira semana de aula depois da tragédia, o clima é diferente. Os alunos, que costumavam confraternizar e divulgar festas, estão em sala de aula. Muitos dos que moram na Casa do Estudante estão recolhidos. São poucas as rodas de conversa, tão comuns em qualquer universidade.

“É um baque”, comenta o aluno de tecnologia em fabricação mecânica Vitor Vargas de Souza, de 25 anos, que teve dois amigos mortos no incêndio. “Em final de semestre sempre havia festas que os alunos organizavam e vinham promover, mobilizar o pessoal. O movimento diminuiu bastante”, comenta.

O que não quer dizer que os jovens não estão unidos. “Tenho visto mais solidariedade aqui”, diz o estudante de química Aliar Anacleto Jung, de 18 anos, que perdeu duas amigas e outras 14 pessoas conhecidas no incêndio.

Morador da Casa do Estudante, Jung conta que o clima nos três prédios que abrigam acadêmicos que moram no campus é de “família”, e elogia o trabalho dos psicólogos. “A qualquer hora sou muito bem atendido”, diz.

Professores mais flexíveis

Jung conta que o clima de solidariedade não se limita aos estudantes. Estudante de um curso onde há muita exigência, pela complexidade das disciplinas, ele diz ter se impressionado ao perceber que os professores têm se mostrado sensíveis à dor dos alunos.

“Em uma noite, me desesperei e chorei. Mandei um e-mail para minha professora, dizendo que não tinha como entregar o trabalho na data marcada e expliquei a situação. Ela me respondeu que eu poderia entregar uns dias depois tranquilamente”, contou.

O corpo docente da universidade recebeu pedidos do Centro de Acolhimento e do Diretório Central dos Estudantes (DCE) para compreender que alguns alunos passam por uma situação difícil. “Alertamos para que sejam sensíveis e flexíveis. Cada turma e aluno terá necessidades diferentes. Alguns não têm esta necessidade, outros sim. Cabe ao professor avaliar as situações e adaptar as aulas”, explicou Camila.

‘Cuidamos um do outro’, diz coordenador do DCE

A fraternidade que se instalou na universidade chegou ao Diretório Central dos Estudantes (DCE). O coordenador geral Alex Monaiar, de 23 anos, diz que a melhor forma de encarar a situação é estender a mão a quem está próximo. “Nos organizamos para cuidar um do outro”, diz.

Estudante de psicologia, ele ficou envolvido com o atendimento de familiares de vítimas desde o dia posterior à madrugada do acidente. Depois, consultou profissionais da Força Nacional do SUS que estavam na cidade para saber a melhor forma de auxiliar os estudantes.

Com eles, aprendeu que a melhor forma é promover a união entre os alunos. “O primeiro foco é estimular que as pessoas se encontrem. A sala de aula precisa ser espaço de encontro, não apenas de aprendizado do conteúdo. Reações como tristeza, culpa e vontade de ficar sozinho não são anormais nesta situação, e com esta rede as pessoas vão superar isto”, diz.

Fonte: G1

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