22/06/2016 – Atualizado em 22/06/2016
Habeas Corpus beneficia oito pessoas, porém sócio de Giroto continua preso
Diário Digital
Pouco depois da meia-noite desta quarta-feira, 22 de junho, o ex-deputado federal e ex-secretário de Obras Edson Giroto, o cunhado dele Flávio Henrique Garcia Scrocchio, o empreiteiro João Amorim, e o ex-prefeito de Paranaíba e ex-servidor da Agesul Roberto Mariano deixaram o Centro de Triagem do Complexo Penal de Campo Grande, no Jardim Noroeste. Eles estavam acompanhados dos respectivos advogados e não deram declarações à imprensa.
Os quatro foram beneficiados por habeas corpus concedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio de Melo na tarde de quinta-feira, dia 21. A medida beneficia também as quatro mulheres que cumpriam prisão domiciliar. Com isso, estão em liberdade Rachel Rosa de Jesus Portela Giroto (esposa de Giroto), Ana Paula Amorim Dolzan (filha de Amorim), Elza Cristina Araújo dos Santos (sócia de Amorim) e Mariane Mariano de Oliveira (filha de Roberto Mariano).
Todos cumpriam prisão preventiva desde 10 de maio, ou seja, há 42 dias, em decorrência da Operação Fazendas de Lama, segunda fase da Lama Asfáltica, da Polícia Federal. Na semana passada, os oito liberados nesta noite além de outras três pessoas foram denunciados à Justiça pelo Ministério Público Federal (MPF) que, inclusive, requereu a manutenção das prisões.
Na saída do Centro de Triagem, todos carregaram seus próprios pertences até os veículos que os aguardavam na saída do presídio. Os quatro demonstravam abatimento. Giroto, inclusive, estava bem diferente de quando foi transferido para o local, no dia 16 de maio, ocasião em que estava disposto e falante. Nesta noite, não disse uma palavra apesar da insistência dos jornalistas que aguardavam a saída dos presos. Beto Mariano, segundo o advogado, emagreceu 17 quilos.
Desvios – Conforme o MPF, as investigações apontam para a lavagem de ativos em valores superiores a R$ 45 milhões, por meio da aquisição de fazendas em nome de parentes. Na avaliação do órgão, o dinheiro é fruto de desvio de recursos públicos gerenciados pelo governo de Mato Grosso do Sul. Segundo o MPF, a organização criminosa funcionou, ao menos de 2007 até 2014, no governo do Estado notadamente na Secretaria Estadual de Obras Públicas, chefiada por Giroto em grande parte do período.
Apesar da soltura das oito pessoas, a Operação Fazendas de Lama ainda mantém um preso. O engenheiro João Afif Jorge, que seria sócio de Giroto, foi preso nesta quinta-feira pela Polícia Federal e continua detido no Centro de Triagem.
Inocência – O advogado de Beto Mariano, Hilário de Oliveira, conversou com a imprensa no meio da tarde enquanto aguardava a chegada do alvará de soltura. Segundo ele, daqui pra frente a ideia é se concentrar na defesa dos acusados. “Agora é continuar na vida e fazer a defesa para provar a inocência deles”, mencionou.
Segundo Hilário, cada advogado entrou com pedido de habeas corpus para seu cliente, mas todos seguiram a mesma estratégia. “A decisão foi baseada no direito deles de aguardarem o julgamento em liberdade e na presunção de inocência”, explicou.



