Ação conjunta da Vigilância Sanitária, Anvisa e Correios retirou de circulação mais de 2 mil produtos irregulares vindos do Paraguai
Uma ação integrada entre a Vigilância Sanitária Estadual, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Coordenação de Vigilância Sanitária de Portos, Aeroportos e Fronteiras de Mato Grosso do Sul (CVPAF-MS), o Conselho Regional de Farmácia (CRF-MS) e os Correios resultou na apreensão de cerca de R$ 1 milhão em medicamentos emagrecedores ilícitos no Estado.
A apreensão ocorreu durante a Operação Via Protege, realizada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) entre os dias 2 e 4 de fevereiro, no Centro de Triagem e Distribuição dos Correios, localizado no bairro Amambaí, em Campo Grande. Ao todo, 2.071 unidades de produtos irregulares foram retiradas de circulação, sendo 800 medicamentos voltados ao emagrecimento.
Entre os itens apreendidos estavam canetas emagrecedoras injetáveis, esteroides anabolizantes, ampolas e comprimidos anorexígenos à base de lisdexanfetamina, conhecida comercialmente como Venvanse. Todo o material tinha origem no Paraguai, não possuía registro na Anvisa e era comercializado sem documentação fiscal.
Durante a fiscalização, foram encontradas canetas e ampolas de retatrutida e tirzepatida, das marcas TG e Lipoless, que não são reconhecidas pela Anvisa nem por agências regulatórias internacionais. Os produtos estavam escondidos em encomendas, muitas vezes camuflados em presentes, bolsas, copos térmicos, ervas de tereré, frascos de óleos e cremes hidratantes, além de embalagens de alimentos, como sacos de feijão, e até materiais escolares.
A identificação foi possível por meio de inspeção com raio-x, que apontou irregularidades sanitárias e condições inadequadas de transporte e armazenamento. Parte dos medicamentos deveria ser mantida sob refrigeração, entre 2°C e 8°C, o que não foi observado, representando riscos graves à saúde.
Em nota, a SES alertou que “sem controle sanitário, garantia de procedência ou armazenamento adequado, esses itens podem ter composição desconhecida, sofrer alterações em sua eficácia e segurança, além de expor os consumidores a eventos adversos, intoxicações e outros danos à saúde”.
Ainda em janeiro, outra operação da SES já havia apreendido 3.168 ampolas de tirzepatida (Monjauro), 78 canetas de retatrutida — medicamento que ainda está em fase de estudos além de semaglutida, somatropina, esteroides anabolizantes, toxina botulínica, oxandrolona, lisdexanfetamina e suplementos alimentares, todos enviados pelos Correios.
A popularização das chamadas “canetinhas” em 2025 intensificou as apreensões em Mato Grosso do Sul. Em novembro do ano passado, uma operação na BR-262 apreendeu 44 quilos de cocaína e 95 canetas emagrecedoras em uma carreta dos Correios. Já em dezembro, o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) apreendeu 491 canetas em Ponta Porã, e, dias depois, a Polícia Militar Rodoviária interceptou outra carga com 1.024 unidades de diversas marcas irregulares.
Segundo a Anvisa, é proibida a fabricação, importação, comercialização, propaganda e uso de diversos medicamentos agonistas de GLP-1 sem registro no país. Entre os produtos proibidos estão T.G. 5, Lipoless, Lipoless Éticos, Tirzazep Royal Pharmaceuticals e T.G. Indufar. Já medicamentos como Mounjaro e Ozempic seguem liberados, por serem regulamentados.
A agência reforça que medicamentos sem registro só podem ser importados de forma excepcional, para uso pessoal, mediante prescrição médica, e que, no Brasil, os agonistas de GLP-1 só podem ser adquiridos com receita médica retida, conforme determina a legislação sanitária.
Com informações Correio do Estado


