Internacional – 08/02/2013 – 16:02
John Brennan, nomeado para dirigir a CIA (agência de inteligência americana) pelo presidente Barack Obama, afirmou nesta quinta-feira em sua audiência de confirmação no Senado que levará em conta os resultados de um relatório realizado pela casa sobre as técnicas de interrogação do organismo. Brennan afirmou perante a Comissão de Inteligência que, se for confirmado, uma de suas “mais altas prioridades” será dialogar com os membros do comitê sobre o relatório de mais de seis mil páginas e suas descobertas sobre o programa “que inclui técnicas de interrogação agora proibidas”.
Brennan disse ser consciente que algumas das políticas atuais antiterroristas e operações provocaram debate em nível nacional e internacional. Neste sentido, assinalou que a luta contra a Al-Qaeda “algumas vezes envolveu o uso de força letal” no Afeganistão e assinalou que há um “grande interesse” na base legal, nos critérios, no procedimento e na aprovação dessas ações. Por isso se mostrou disposto a “promover este tipo de discussão” com o Congresso e com os cidadãos americanos, embora haja desacordos por considerá-lo parte do processo democrático.
Brennan destacou ainda a necessidade de inteligência “precisa” para enfrentar a Al-Qaeda e desafios como os ciberataques, as organizações criminosas internacionais e a proliferação nuclear de países como Irã e Coreia do Norte. “A missão da CIA é tão importante para a segurança nacional atualmente como em qualquer outro momento da história de nosso país”, ressaltou.
Sessão interrompida
A audiência foi suspensa minutos após iniciar porque manifestantes denunciando os ataques de aviões não tripulados (os chamados drones) invadiram a sala e a polícia teve que retirar os ativistas. “Ergam-se contra os drones”, gritou um manifestante, numa das várias interrupções da fala de Brennan.
Um dos ativistas do grupo pacifista “Code Pink” exibia uma faixa com os dizeres “Brennan = massacres com drones”. Um outro gritava ao senador Feinstein: “Seus filhos são mais importantes que os filhos de paquistaneses?”.
Os casos de “ataques cirúrgicos” contra militantes suspeitos da Al-Qaeda no Paquistão, no Iêmen, na Somália e em outros países foram condenados por grupos de defesa dos direitos humanos por empreenderem uma guerra clandestina e ilegal. Porém, muitos legisladores apoiam a campanha como uma medida efetiva para neutralizar extremistas da Al-Qaeda sem o envio de tropas em grandes operações militares.
Após os manifestantes deixarem a sala levados pela polícia, Brennan disse que o Governo americano faz uso de aviões não tripulados para abater suspeitos de terrorismo, salvar vidas e como última opção. Para ele, existe a ideia “equivocada” que os “drones” são utilizados para “castigar os terroristas” por suas ações passadas e ressaltou que se recorre a esta prática “para salvar vidas e quando não há outra opção”.
“Não entendem a agonia pela qual passamos para assegurar-nos que não há nenhuma vítima colateral”, disse Brennan, que destacou a importância de abrir um debate público para que se entenda o processo e o rigor na tomada de decisões. “O povo está reagindo a muitas falsidades”, lamentou Brennan.
Fonte: Portal Terra


