Danielly Proença destacou os riscos do uso indiscriminado das canetas emagrecedoras e reforça o papel do farmacêutico na orientação à população
A presidente do Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul (CRF/MS), Danielly Proença, foi a entrevistada do Café da Manhã da 96 FM Caçula, nesta terça-feira, 27, e fez um alerta contundente sobre o uso indiscriminado das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos que ganharam popularidade nos últimos meses, especialmente nas redes sociais.
Danielly destacou que, embora os medicamentos apresentem resultados positivos no processo de emagrecimento, o uso sem acompanhamento médico e farmacêutico representa riscos reais à saúde. “São medicamentos que agem em todo o sistema do corpo. Eles provocam saciedade, interferem na digestão e podem causar reações como náuseas, enxaqueca, vômitos e desconforto gástrico. Nem todas as pessoas estão preparadas para lidar com esses efeitos”, explicou.
A presidente do CRF/MS ressaltou que as canetas foram desenvolvidas inicialmente para o tratamento da diabetes, e que o efeito de emagrecimento foi observado ao longo do uso clínico. Com a popularização da informação “boca a boca” e a divulgação por influenciadores digitais, o medicamento passou a ser utilizado com finalidade estética, muitas vezes sem prescrição. “Isso levou a Anvisa a torná-lo um medicamento controlado. Quando isso acontece, é porque algo saiu dos trilhos”, afirmou.
Outro ponto de preocupação levantado foi a forma de comercialização. Segundo Danielly, a venda fora de farmácias e drogarias compromete a qualidade e a segurança do medicamento, que exige refrigeração adequada e orientação técnica. “A farmácia é um estabelecimento de saúde. Ela oferece controle de temperatura, ambiente adequado e, principalmente, a presença do farmacêutico, que é o profissional habilitado para orientar o paciente”, reforçou.
A presidente também chamou atenção para os riscos da automedicação, prática cultural ainda comum no Brasil. “Cada organismo reage de forma diferente. Um medicamento que funciona para uma pessoa pode causar reações graves em outra. Por isso, o acompanhamento médico, nutricional e farmacêutico é indispensável”, pontuou, alertando ainda para a possibilidade de perda de massa muscular quando o uso não é acompanhado por um nutricionista.
Danielly Proença destacou o trabalho de fiscalização do CRF/MS em todo o Estado, garantindo que farmácias e drogarias cumpram a legislação e mantenham farmacêutico responsável durante todo o período de funcionamento. “A população tem o direito de ser atendida pelo farmacêutico. Se você entrar em uma farmácia e não houver esse profissional, algo está errado”, afirmou.
Ela também orientou que pacientes que apresentem sintomas persistentes ou intensos, como diarreia, vômitos ou dores de cabeça, interrompam o uso e procurem atendimento médico, informando sempre que estão utilizando a caneta emagrecedora, para evitar interações medicamentosas e agravamento do quadro.
Ao final, Danielly reforçou a importância da informação correta. “Medicamento não é comércio, é saúde. O uso consciente, com orientação adequada, é o único caminho para que o tratamento traga benefícios e não prejuízos”, concluiu.


