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Mortes por analgésicos nos EUA e Canadá crescem nas últimas duas décadas

22/06/2014 – Atualizado em 22/06/2014

Estudo mostra que os principais fatores para esse aumento são o número elevado de prescrições e venda dos remédios, o alto consumo de metadona e oxicodona e o uso combinado de analgésicos, drogas e álcool

Por: VEJA

O uso abusivo de analgésicos mata mais que a cocaína e a heroína juntas, no Canadá, e está ligado a 16.651 mortes anuais nos Estados Unidos, quatro vezes mais que em 1999. Os dados são de um estudo feito por pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, que analisou artigos científicos publicados sobre o rápido crescimento das mortes relacionados a analgésicos entre 1990 e 2013 nos dois países. Trata-se da primeira grande análise do gênero, publicada na última semana no American Journal of Public Health.

Em 2010, 75% de todas as mortes por overdose de remédios nos Estados Unidos incluíam analgésicos. No Canadá, os óbitos relacionados aos analgésicos opióides dobraram entre 1991 e 2007. Atualmente, os dois países são o primeiro e segundo colocados no ranking de maior número de consumo per capita de opióides.

“Queríamos descobrir por que milhares de pessoas nos Estados Unidos e Canadá estão morrendo, todos os anos, devido à prescrição de analgésicos e por que essa taxa aumentou tanto nas duas últimas décadas”, diz Nicholas King, um dos autores do estudo.

Para isso, a equipe de pesquisadores selecionou artigos com análises quantitativas para identificar e reunir evidências sobre as causas do aumento de mortes relacionadas a analgésicos — opióides como oxicodona, metadona, morfina e derivados da codeína. Os cientistas descobriram que os principais fatores para o crescimento são o número elevado de prescrições e venda dos remédios, o alto consumo de metadona e oxicodona e o uso combinado de analgésicos, drogas e álcool.

“Nosso trabalho faz um resumo confiável das possíveis causas da epidemia de overdose de opioides, que deve ser útil para médicos e para a criação de futuras políticas públicas que reduzam as mortes”, diz. King. “Além disso, os dados podem prevenir que outros países sigam o mesmo caminho que os Estados Unidos e Canadá.”

Foto: Ilustração

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