23.5 C
Três Lagoas
segunda-feira, 11 de maio, 2026

Morre aos 82 anos o ex-governador do RS Amaral de Souza

Geral – 13/06/2012 – 09:06

Ligado ao PP (antiga Arena, ex-PDS), Amaral de Souza governou o RS entre 1979 e 1983

Morreu na manhã desta quarta-feira o ex-governador do Rio Grande do Sul José Augusto Amaral de Souza. Ele tinha 82 anos e será velado à tarde no Palácio Piratini e sepultado no Cemitério João XXIII. Amaral sofreu um AVC em outubro de 2006.

— Estamos entristecidos com a perda desse grande companheiro — lamentou o também ex-governador e colega de partido, Jair Soares, em entrevista à Rádio Gaúcha.

Amaral governou o Estado entre 1979 e 1983, quando entregou o poder a Jair. Antes disso, foi deputado estadual, federal e vice-governador de Sinval Guazzeli no período 1975-1979.

A história de Amaral na política

Durante o governo de Yeda Crusius, Amaral de Souza doou o acervo de sua biblioteca particular ao Palácio Piratini. Composto por mil volumes, o acervo está à disposição na Biblioteca Pública do Estado.

— Abrir o espaço na biblioteca pública com seu acervo concretiza sua vontade de compartilhar o conhecimento com sua gente. Fortalecendo a educação como instrumento transformador para uma sociedade com igualdade e oportunidade — disse na ocasião a filha do político, Denise Souza da Costa.

Quando convidou José Augusto Amaral de Souza para assumir o Piratini, a partir de 1979, o presidente Ernesto Geisel (1974-1979) lhe fez um pedido:

— Você vai me ajudar a destampar a panela de pressão.

A missão de governar o Rio Grande do Sul durante os delicados anos de abertura política que antecederam o fim do regime militar no Brasil (1964-1985) era ostentada por Amaral de Souza com doses de orgulho.

A panela de pressão não demorou a ferver. Logo depois da posse como governador, em março de 1979, Amaral de Souza teve de administrar a primeira greve dos professores gaúchos durante a ditadura. Foram 13 dias de paralisação em 1979 em busca de reajustes salariais.

Ao relembrar o passado político para o programa Histórias, da TVCOM, em 2002, disse que procurou governar de uma forma que evitasse acirramentos:

— Ao assumir o governo, a minha grande preocupação era a transição política. Eu queria uma transição pacífica, não queria choques.

A opção de Geisel surpreendeu até mesmo a Aliança Renovadora Nacional (Arena), o partido de sustentação da ditadura militar. O mais cotado para a indicação era o deputado federal Nelson Marchezan, também da Arena. Amaral de Souza, então vice de Synval Guazzelli, gostava de dizer que chegara ao cargo não por simpatia e afinidade com os militares, mas pelo apoio que tinha dentro do partido.

Nascido em Palmeira das Missões em 1929, aos 10 anos de idade Amaral mudou-se para Porto Alegre, onde estudou no Colégio Rosário. A família, que negociava erva-mate, não demorou na cidade grande e optou por retornar. Amaral de Souza ficou.

Na Capital, ele cursou duas faculdades simultaneamente: Direito, na UFRGS, e Filosofia, na PUCRS. Acabou entrando no movimento estudantil e chegou à vice-presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE) no início dos anos 50, com o Brasil imerso na campanha O Petróleo é Nosso.

— Éramos contra o radicalismo de esquerda — relembra.

Como político, Amaral definia-se como um conciliador. Garantia ter aprendido o ofício da moderação durante o período em que advogara no Interior. Em 1952, já formado, retornou para Palmeira das Missões, onde montou um escritório de advocacia. Ali, conheceu e casou-se com Miriam, com quem teria três filhos.

Aprendeu a medir atos e palavras para não colecionar inimigos. Também foi na terra em que nasceu que conquistou o primeiro mandato político, como vereador, pelo PSD, derrotando um primo e um tio na eleição.

— Aprendi a ser conciliador e não brigar com muita gente — confessou no mesmo programa da TVCOM.

Em 1982, na primeira disputa em eleições diretas para o Piratini após a ditadura militar, Amaral conseguiu fazer o sucessor, Jair Soares, em uma eleição polêmica, com denúncias de fraude eleitoral.

A decisão mais controvertida do mandato de Amaral de Souza foi a extinção do Departamento de Ordem Pública e Social (Dops) no Rio Grande do Sul. Não que o fim do famigerado aparato de espionagem e repressão tenha sido lamentado. As críticas recaíram sobre a queima dos arquivos do Dops, incinerando parte da memória do regime militar ter sido queimada nos fornos de uma olaria.

— Foi um erro — reconheceu 20 anos depois.

Fonte: Zero Hora

Deu na Rádio Caçula? Fique sabendo na hora!
Siga nos no Google Notícias (clique aqui).
Quer falar com a gente? Estamos no Whatsapp (clique aqui) também.

Veja também

Estrangeiras são presas com 30 quilos de skunk em ônibus durante fiscalização em MS

Três mulheres estrangeiras foram presas pela Polícia Militar de Mato Grosso do Sul na manhã deste domingo (10), transportando 30 quilos de skunk em...

Carga com 7,2 mil óculos do Paraguai é apreendida pela PM

A Polícia Militar apreendeu, na madrugada desta segunda-feira (11), um veículo carregado com mercadorias de origem estrangeira sem comprovação fiscal, em Brasilândia. A ação...

VÍDEO: DOF apreende mais de meia tonelada de maconha em carro adaptado e causa prejuízo milionário ao tráfico

Policiais militares do DOF (Departamento de Operações de Fronteira) prenderam, neste sábado (9), um homem de 25 anos flagrado transportando mais de meia tonelada...