Titular da SMS e diretor de Regulação detalham megaestrutura inédita, convoca população a atualizar cadastro e garante força-tarefa para reduzir filas históricas que aguardam atendimento desde 2021
A cidade de Três Lagoas se prepara para viver uma das maiores mobilizações já realizadas na saúde pública municipal. Entre os dias 6 e 10 de julho, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, vai colocar em prática o que já é considerado o maior mutirão da saúde da história do município, com uma megaestrutura montada no Sindicato Rural (Parque de Exposições) e capacidade para realizar até 15 mil atendimentos especializados.
Durante entrevista concedida à Rádio Caçula, a secretária municipal de Saúde, Juliana Salim, ao lado do diretor de Regulação, José Francisco de Almeida, explicou que a iniciativa nasceu a partir de um estudo detalhado das filas reprimidas e tem como principal missão acelerar atendimentos que, em alguns casos, aguardam solução há mais de quatro anos.
Segundo Juliana, o mutirão representa mais do que uma ação emergencial. Para ela, o projeto se resume em uma palavra: qualidade. “Esse mutirão significa qualidade de saúde. Estamos falando de pessoas que aguardam desde 2021, 2022 por consultas, exames e procedimentos. Nosso objetivo é garantir que essa população tenha atendimento resolvido, tenha sua saúde encaminhada e volte a ter qualidade de vida. Nunca tivemos em Três Lagoas um evento dessa magnitude”, destacou a secretária.
A operação acontecerá no Sindicato Rural e contará com uma estrutura montada especialmente para absorver a grande demanda reprimida da rede pública. Serão disponibilizadas entre quatro e cinco carretas especializadas, além de consultórios, salas de exames, farmácia, trailer odontológico, equipes multiprofissionais e setores de apoio administrativo.
A expectativa é realizar cerca de 2.200 atendimentos por dia. A secretária comparou a estrutura a uma verdadeira feira da saúde. “É praticamente uma mini exposição da saúde. Serão cinco grandes carretas, farmácia, trailer odontológico, vacinação e diversos serviços funcionando simultaneamente para atender a população com conforto e agilidade”, afirmou.
O diretor de Regulação, José Francisco, explicou que o município trabalhou durante meses no levantamento dos procedimentos com maior fila de espera para direcionar o mutirão exatamente onde a demanda é mais crítica. A expectativa é praticamente atender toda a fila existente nesses procedimentos.
“Não falamos em zerar fila porque a saúde é dinâmica. Eu zero hoje e amanhã surgem novos pacientes. Mas nossa meta é atingir praticamente todos que hoje aguardam esses procedimentos regulados”, explicou.
Um dos maiores desafios apontados pela equipe da saúde é o alto índice de pacientes que deixam de comparecer aos atendimentos agendados, conhecido tecnicamente como absenteísmo.
Segundo José Francisco, mais de 15 mil mensagens já foram enviadas aos pacientes cadastrados para confirmar se ainda existe interesse no procedimento solicitado. “Primeiro enviamos mensagens perguntando se o paciente ainda queria realizar o exame. Quem respondeu positivamente já começou a receber o agendamento com data e horário marcados. Nosso objetivo é evitar vagas ociosas”, explicou.
A Secretaria também identificou muitos pacientes com cadastros desatualizados ou sem telefone registrado, o que pode impedir o contato. Por isso, o alerta é direto.
“Se você sabe que está aguardando algum exame ou consulta e não recebeu mensagem, procure imediatamente sua unidade de saúde e atualize seu cadastro. Isso é fundamental”, reforçou o diretor.
A Secretaria montará uma central de monitoramento dentro do próprio mutirão para acompanhar em tempo real as faltas registradas diariamente. Caso algum paciente não compareça, outra pessoa será convocada imediatamente para ocupar a vaga. “Se agendamos 100 mamografias e só 50 pessoas comparecem, nossa equipe já liga imediatamente para os próximos pacientes da fila. Não vamos desperdiçar nenhuma vaga”, garantiu José Francisco.
Embora a prioridade seja atender pacientes que já aguardam na fila da regulação, a Prefeitura estuda abrir parte dos atendimentos para demanda espontânea no último dia do mutirão, dependendo da quantidade de faltas registradas durante a semana.
A decisão será anunciada oficialmente durante o evento. A secretária Juliana Salim reforçou que o compromisso da gestão é não deixar ninguém para trás.
“Estamos planejando esse mutirão há meses. Teremos mais de 80 profissionais trabalhando exclusivamente nessa operação e nossa missão é atender o máximo possível. Três Lagoas enfrenta desafios na saúde como qualquer cidade do país, mas nossa equipe está trabalhando diariamente para encontrar soluções e melhorar o atendimento da população”, concluiu.


