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Inércia diplomática gera mais violência na Síria, diz ONU

Internacional – 14/02/2012 – 09:02

A chefe de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) culpou nesta segunda-feira o desacordo no Conselho de Segurança pelo incitamento da violência realizada pelo governo sírio contra a oposição, em sua campanha para reprimir os protestos contra o regime de 11 anos do presidente Bashar al-Assad.

Rússia e China vetaram no dia 4 de fevereiro um esboço de uma resolução que condenava a repressão e apoiava a saída do líder sírio do poder.

“O fracasso do Conselho de Segurança em concordar com uma ação coletiva firme incentivou o governo sírio a lançar um ataque total em um esforço para reprimir a dissidência com uma força opressiva”, disse a alta comissária de direitos humanos, Navi Pillay, na Assembleia Geral da ONU.

“Estou particularmente aterrorizada pelos ataques violentos em Homs”, afirmou ela. “De acordo com relatos críveis, o Exército sírio bombardeou regiões densamente povoadas de Homs, no que parece ser um ataque indiscriminado a áreas civis.”

Uma proposta da Liga Árabe para aumentar o apoio ao levante contra o presidente da Síria e enviar uma missão de paz estrangeira gerou uma resposta internacional cautelosa na segunda-feira. Não havia muitos sinais de que o derramamento de sangue terminaria em breve.

A Rússia, país aliado de Assad e grande fornecedor de armas, disse que não poderá apoiar uma missão de paz, a menos que ambos os lados cessassem a violência antes.

Alguns sentiram que as movimentações serviram apenas para alimentar as chamas da guerra.

“Percebemos que as decisões estão tomando um rumo grave para a Síria e para a região”, disse o ministro das Relações Exteriores do Líbano, Adnan Mansour, em Beirute.

Outros observadores afirmaram que isso era apenas o início de um processo longo e complexo para resolver o que potencialmente é a mais perigosa das revoltas da Primavera Árabe.

No campo de batalha, as forças do governo sírio bombardearam distritos rebeldes de Homs e atacaram outras cidades na campanha para reprimir a oposição ao governo de Assad.

Tiros de morteiro e de tanques atingiram o distrito de Baba Amro, mas não se sabia o número de vítimas porque a comunicação havia sido cortada, disse à Reuters o ativista Mohammad al-Hassan, de Homs.

Os ativistas afirmaram que 23 pessoas foram mortas no domingo, somando-se a um total de mais de 300 desde o início da investida (em 3 de fevereiro) em Homs, estrategicamente localizada na rodovia entre a capital Damasco e a segunda cidade do país, Aleppo.

Segundo a ONU, mais de 5.000 pessoas, a maioria civis, já morreram na repressão aos protestos na Síria. O governo sírio diz enfrentar a ação de “terroristas armados” que, com patrocínio estrangeiro, tentam desestabilizar o país.

Enquanto isso, as potências mundiais digeriam as propostas da Liga Árabe apresentadas em uma reunião no Cairo no domingo, pedindo por uma força de paz conjunta com a ONU para a Síria e prometendo fornecer assistência política e material à oposição.

O plano enfrenta todos os tipos de obstáculos, e os governos estrangeiros estão divididos sobre como resolver a crise.

Fonte: Reuters

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