Alta dos juros e desaceleração econômica pressionam negócios e elevam dívidas para mais de R$ 3,2 bilhões no Estado
O número de empresas com restrições de crédito em Mato Grosso do Sul registrou um salto expressivo de 42% em apenas um ano, evidenciando o avanço da inadimplência e o aumento da pressão financeira sobre o setor produtivo. Dados da Serasa Experian mostram que a quantidade de CNPJs negativados passou de 89.484, em janeiro de 2025, para 127.516 no mesmo período deste ano.
O crescimento foi acompanhado por um aumento significativo no volume total das dívidas, que saiu de R$ 2,16 bilhões para R$ 3,28 bilhões — um acréscimo de mais de R$ 1,1 bilhão. No mesmo intervalo, o número de débitos também subiu, passando de 737 mil para mais de 977 mil registros, indicando maior acúmulo de compromissos financeiros em atraso.
Os dados apontam ainda que cada empresa possui, em média, cerca de oito dívidas pendentes. O valor médio por CNPJ ficou em torno de R$ 25,7 mil, enquanto o ticket médio por dívida também cresceu, refletindo o encarecimento do crédito e a dificuldade de renegociação.
Segundo especialistas, o cenário revela uma deterioração gradual das condições financeiras, intensificada principalmente no segundo semestre de 2025. Fatores como juros elevados, com a taxa Selic em 14,75% ao ano, e a desaceleração da atividade econômica têm dificultado o acesso ao crédito e reduzido a capacidade de pagamento das empresas.
A economista Camila Abdelmalack avalia que o ambiente é ainda mais desafiador para micro e pequenas empresas, que sentem de forma mais intensa os impactos da alta dos juros e das incertezas econômicas. Já empresas de maior porte conseguem, em parte, absorver melhor esses efeitos.
Com a inadimplência em trajetória de alta contínua, o cenário indica cautela para o setor produtivo, que enfrenta um ambiente de crédito caro, menor liquidez e desafios crescentes para manter suas operações sustentáveis.


