A escalada nos preços dos alimentos tornou-se uma das principais preocupações do governo federal, causando clima de instabilidade entre as lideranças da Esplanada dos Ministérios. O tema foi amplamente debatido durante uma reunião ministerial nesta semana, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exigiu da equipe econômica e social a formulação de estratégias concretas para aliviar os impactos da inflação no orçamento familiar.
De acordo com dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o setor de alimentação registrou uma alta acumulada de 7,69% na inflação ao longo de 2024. Diante disso, ministros de áreas estratégicas, como Rui Costa ( Casa Civil) , Carlos Fávaro (Agricultura) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Social e Agrário), foram mobilizados para elaborar um plano de ação, que deve ser apresentado ainda hoje ao presidente.
Entre as possibilidades debatidas nos bastidores, a ideia de uma intervenção direta no mercado de alimentos foi descartada pelo governo. A proposta, inicialmente ventilada pelo ministro Rui Costa, gerou repercussão negativa no mercado financeiro, obrigando o Executivo a revisar o discurso e tratar a declaração como um “equívoco de comunicação”.

Outra questão que movimentou o cenário político e econômico foi a proposta de alterar as regras sobre o prazo de validade dos alimentos, apresentada pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Apesar de ter ganhado força nos bastidores, a medida foi rejeitada oficialmente após uma reunião entre os ministros na manhã desta sexta-feira (24).


