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quinta-feira, 28 de outubro, 2021

Governo federal e BID vão investir R$ 30,7 milhões para evitar queimadas

A devastação de 28% do Pantanal causada pelo fogo sem controle em 2020 gerou alerta a autoridades que ainda não tinham implementado medidas mais eficazes de controle e proteção do bioma.  

Com um investimento de R$ 30,75 milhões nos próximos três anos, o governo federal, com apoio de organização internacional, tenta reduzir esse vácuo estratégico em uma das maiores extensões úmidas contínuas do mundo, que abriga 263 espécies de peixes, 41 espécies de anfíbios e 132 espécies de mamíferos, entre eles, a onça-pintada.  

O trabalho conjunto envolvendo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Sebrae e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) viabilizou o lançamento de dois projetos complementares que têm a meta de identificar como as queimadas impactam o setor econômico instalado no Pantanal.

Além de permitir que empresas que dependem do bioma para gerar renda possam continuar trabalhando de forma mais sustentável, com a responsabilidade de serem guardiões para combater as queimadas e outros danos à vegetação.

Depois das queimadas em 2020, autoridades públicas confirmaram que não estavam habilitadas com informações consolidadas para entender os motivos dos incêndios no bioma. Para superar essa lacuna histórica, o BID está financiando, com R$ 750 mil, levantamento de diagnóstico e ações de mobilização.

A execução desse projeto está sob a incumbência do Sebrae de Mato Grosso do Sul, que terá o período de 12 meses, contados a partir de julho, para a entrega do estudo final. 

“Entre as iniciativas que compõem a primeira fase do plano de trabalho estão a organização de dois fóruns para discussão sobre mobilização e conscientização coletiva da prevenção, controle e combate a incêndios e queimadas e o uso racional do fogo”, explica.

“Serão convidadas lideranças das entidades públicas, privadas e do terceiro setor, produtores rurais e imprensa. A previsão é de que os fóruns ocorram em setembro e outubro deste ano”, detalha o Mapa, em nota oficial enviada ao Correio do Estado.

O estudo também tem a meta de analisar, nas 11 sub-regiões do Pantanal, quais são as prioridades específicas em relação ao desenvolvimento sustentável, ao papel da agropecuária e à melhoria da qualidade de vida no meio rural. 

“A parceria prevê a realização de uma série de estudos, além de ações e campanhas de comunicação sobre controle de fogo e a identificação de iniciativas, práticas e processos que promovam a sustentabilidade ambiental e produtiva no contexto do desenvolvimento rural e da agropecuária pantaneira”, especifica o Mapa sobre o trabalho.

Desenvolvimento

Com um escopo de maior alcance e para trabalhar os pequenos negócios inseridos na zona rural e na zona urbana de todo o Pantanal, há outro projeto lançado neste mês que tem o Ministério da Agricultura e o Sebrae como parceiros. Denominado Pró-Pantanal, essa iniciativa tem investimento de R$ 30 milhões, um valor maior do que o estudo que envolve o BID. 

A iniciativa está com aporte público e tem como foco preparar os negócios em três áreas: o agronegócio, o turismo e a cultura pantaneira. Por enquanto, não há definição sobre a divisão de recursos para MT e MS, apenas as cidades que serão contempladas.

As atividades do Pró-Pantanal vão ter prazo de três anos para serem implementadas, e o levantamento será feito tanto em Mato Grosso do Sul quanto em Mato Grosso.  

Em MS, 10 cidades foram contempladas para estarem na proposta: Aquidauana, Bodoquena, Corumbá, Coxim, Ladário, Miranda, Sonora, Porto Murtinho e Rio Verde de Mato Grosso.

Além de Corguinho, que não está no Pantanal, mas pela proximidade acabou sendo selecionada. Em Mato Grosso, há Barão de Melgaço, Cáceres, Lambari D’Oeste, Nossa Senhora do Livramento, Poconé e Santo Antônio Leverger.

Até o fim deste ano, o Sebrae prevê concluir o diagnóstico sobre a situação desses municípios e detectar como as queimadas têm impactado essas localidades, bem como quais iniciativas são necessárias para promover o desenvolvimento das áreas. 

“Vamos trabalhar muito na sustentabilidade. Teremos atuação no agronegócio pantaneiro, na cultura como negócio e no turismo. Vamos procurar identificar o que existe nessas localidades hoje e o que precisa ser desenvolvido. Provavelmente teremos chamadas com edital para complementar ações”, detalha a gestora do contrato pelo Sebrae-MS, Flávia Rosa.

A gestora pontuou também que, para o turismo, é preciso avaliar como está inserida a gastronomia local e as condições de hospedagem existentes no bioma. 

Para o setor cultural, haverá trabalho para tornar os artesãos em agentes de economia criativa e também ampliar a presença do produtor musical para valorizar os sons tradicionais de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.  

As regionais do Sebrae nos dois estados estão realizando o levantamento de empresas e produtores que serão entrevistados para o diagnóstico do projeto.  

Os setores que já estão sendo contados são os sindicatos rurais, as empresas do setor de turismo e as associações de empresas e de artesãos. 

“A missão é trabalhar com os pequenos negócios, aqueles que têm faturamento bruto de até R$ 4 milhões por ano. Esse é o foco do Sebrae, mas entendemos que o que está sendo proposto vai voltar os olhos para toda uma cadeia e envolverá grandes empresas também”, diagnostica Flávia Rosa.

O presidente do Sindicato Rural de Corumbá, Luciano Leite, confirma que é muito positiva a parceria entre BID, Mapa e Sebrae para garantir um diagnóstico melhor do cenário das queimadas do Pantanal. Ele ainda acrescenta que os produtores rurais no bioma passaram a ter uma atuação mais ativa diante das queimadas. 

Em parceria com os bombeiros, diferentes fazendas estão formando seus próprios brigadistas para atuar no caso de incêndios. Essa iniciativa não existia até a metade deste ano.

“Em parceria com a Fundação do Meio Ambiente do município de Corumbá, com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Sustentável, o Corpo de Bombeiros, o Ministério Público e o Sindicato Rural, estamos fazendo treinamento nas propriedades rurais”, defende. 

“Os proprietários estão levando os bombeiros em avião próprio. Reúnem-se funcionários de várias fazendas vizinhas em um local para o treinamento [de brigada]. As sub-regiões que estão no treinamento são Nhecolândia, Jacadigo, Abobral e Nabileque. Tudo é bem-vindo agora”, completa.

Informações do site Correio do Estado

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