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sábado, 21 de fevereiro, 2026

Fibria Celulose quer impedir fusão da ALL e Rumo Logística

01/04/2014 – Atualizado em 01/04/2014

No documento da Fibria, a empresa afirma que a ALL descumpre contrato firmado em 27 de setembro de 2009, para o transporte de 1,2 milhão de toneladas anuais de celulose por conta, principalmente, dos compromissos que a concessionária tem de assumir com a Rumo

Por: Marco Campos / Estadão

A Fibria Celulose entrou na discussão entre a concessionária ferroviária América Latina Logística (ALL) e a Rumo Logística, do grupo sucroalcooleiro Cosan, ao afirmar que os volumes de transporte demandados por essa última ocupam tamanha capacidade da ferrovia que atrapalha o escoamento de sua produção até o Porto de Santos.

A Fibria foi qualificada como terceira interessada no inquérito administrativo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e colocou o setor de papel e celulose na discussão sobre o acordo entre ALL e Rumo.

Até então, a associação entre as duas companhias era questionada por produtores de soja e açúcar, operadores logísticos e pela própria ALL.

A Fibria protocolou a petição na qual pede para ser qualificada pelo Cade como terceira interessada no último dia 28 de fevereiro. No documento, a empresa afirma que a ALL descumpre contrato firmado em 27 de setembro de 2009, para o transporte de 1,2 milhão de toneladas anuais de celulose por conta, principalmente, dos compromissos que a concessionária tem de assumir com a Rumo.

“Desde a sua assinatura, o contrato vem sendo reiteradamente descumprido pela ALL, muito em razão dos contratos firmados entre ALL e Rumo, tendo, portanto, os seus direitos e interesses afetados diretamente pela discussão objeto deste inquérito administrativo”, informa a Fibria na petição.
Paralelamente à petição protocolada no Cade, a companhia de celulose entrou com processo na Justiça contra a ALL, segundo fontes.

A empresa exportou, no ano passado, cerca de 90% de sua produção de 5,2 milhões de toneladas de celulose. Do total exportado, de 30% a 35% são escoados por Santos a partir das unidades de Jacareí (SP) e Três Lagoas (MS).

O restante – da fábrica Aracruz (ES) e 50% da produção da Veracel, joint venture com a Stora Enso – é escoado pelo Portocel, terminal portuário privado localizado em Barra do Riacho (ES) e dedicado à celulose. A Fibria detém 51% da instalação e a Cenibra, 49%.

Concorrentes

Em Santos, a Fibria tem a concessão de três armazéns (13, 14 e 15), que vence em 2017, além de operar, por meio de um contrato, o terminal 31. Ela se prepara para participar dos leilões de concessão de terminais dedicados à celulose em Santos e terá a Cosan como concorrente, uma vez que o grupo também tem forte interesse em operar os mesmos terminais.

De acordo com a petição, se o contrato fosse cumprido à risca com a ALL, a empresa utilizaria a malha ferroviária para o transporte da celulose até o litoral paulista.

Segundo a companhia, não importa que a Cosan tenha negócios em um setor totalmente diferente daquele de atuação da Fibria, pois todos competem por capacidade da ferrovia sob concessão da ALL.

“A sobrecarga do modal ferroviário resultante das diversas condutas adotadas pela Rumo/Cosan, em especial da solicitação de demanda tão superior a sua capacidade de utilização, termina por prejudicar todos os clientes da ALL. Assim, o fato de a Cosan ser produtora de açúcar não tira a sua qualidade de concorrente da Fibria no acesso aos serviços de logística”, afirma o texto.

Procuradas, ALL e Fibria não comentam o assunto.

Contra-ataque

A Cosan afirmou, por meio de sua assessoria, que é impossível a operação da Rumo atrapalhar as atividades da Fibria porque a empresa de papel e celulose opera pelo sistema de bitola métrica (os trilhos tem um metro de distância entre si) com origem em Três Lagoas (MS) e com destino a Santos e a operação da Rumo é realizada pelo sistema de bitola larga (a distância entre cada trilho é de 1,6 metro), principalmente entre Araraquara (SP) e Itirapina (SP). “A Rumo não entende a posição da Fibria, pois as empresas não utilizam os mesmos vagões nem locomotivas, tampouco a mesma via permanente”.

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