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sexta-feira, 6 de novembro, 2026

Feijão mais caro nas prateleiras: entenda por que o preço está subindo no Brasil

O preço do feijão-preto voltou a subir no mercado brasileiro e já começa a preocupar consumidores que encontram o produto mais caro nas prateleiras dos supermercados. Pelo terceiro mês consecutivo, a cotação do grão registrou alta em outubro, alcançando o maior patamar nominal dos últimos dois anos. O principal motivo é a oferta reduzida durante o período de entressafra, situação que vem pressionando os preços pagos aos produtores e pode refletir no bolso dos consumidores.

De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o Cepea, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, o feijão-preto acumulou valorização de 11,67% somente em outubro. No acumulado de 2026, a alta chega a 91,29%. Na comparação com outubro do ano passado, o avanço foi de 78,18%.

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Oferta menor e período de entressafra pressionam os preços

Um dos principais fatores por trás da alta é a menor quantidade de feijão disponível no mercado. Neste período do calendário agrícola, a produção passa por uma fase de entressafra, quando a oferta costuma diminuir até a entrada de novos volumes da colheita.

Com menos produto disponível, compradores precisam disputar os lotes existentes, o que favorece a valorização das cotações. A situação também é influenciada pelas condições climáticas em regiões produtoras.

No sudoeste de São Paulo, as chuvas dificultaram o avanço da colheita. Já no Paraná, as precipitações prejudicaram as lavouras e aumentaram as preocupações com a produção da próxima safra.

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Quanto está custando a saca?

Nos primeiros dias de novembro, as cotações do feijão-preto tipo 1 continuaram em patamares elevados. No levantamento com fechamento em 5 de novembro, a saca de 60 quilos foi negociada a aproximadamente R$ 290,37 em Curitiba, R$ 289,82 na metade sul do Paraná e R$ 290,78 no oeste catarinense.

No caso do feijão-carioca, os preços também permanecem elevados, embora o comportamento seja diferente. Em 5 de novembro, a saca de 60 quilos, com peneira 12 e classificação de qualidade, chegou a R$ 337,88 em São Paulo. Em outras regiões, as cotações ficaram próximas ou acima de R$ 300, dependendo da qualidade e da disponibilidade dos lotes.

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É importante lembrar que esses valores são referências do mercado agrícola, pagos por saca de 60 quilos, e não representam necessariamente o preço encontrado pelo consumidor no supermercado. Entre o produtor e a prateleira existem custos de transporte, beneficiamento, embalagem, armazenamento, distribuição e comercialização.

Feijão carioca tem comportamento diferente

Enquanto o feijão-preto apresentou uma valorização mais expressiva, o carioca teve oscilações menores durante outubro. O comportamento varia conforme a região produtora, a qualidade dos grãos e a disponibilidade de lotes para comercialização.

Para o feijão-carioca de melhor classificação, a oferta limitada de determinados lotes também contribuiu para manter as cotações em níveis elevados. Em algumas localidades, houve pequenas altas; em outras, foram registradas quedas pontuais, principalmente por causa da umidade e das condições dos grãos recém-colhidos.

Mesmo sem repetir a disparada do feijão-preto, o carioca também acumula valorização expressiva ao longo de 2026.

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Próxima safra também preocupa o setor

Outro ponto de atenção é o plantio da primeira safra de feijão 2026/2027. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab, indicavam que os trabalhos de semeadura haviam alcançado 25,1% da área prevista no país, percentual abaixo da média histórica de 26,7%.

No Paraná, um dos principais estados produtores, a estimativa de área cultivada foi revisada para baixo. A projeção passou para 86,3 mil hectares, redução de 16% em relação à safra anterior. A produção estimada também foi reduzida, com previsão de 173,2 mil toneladas, volume 10% menor na comparação anual.

O excesso de chuvas e as condições das lavouras aumentam a incerteza sobre o volume que estará disponível nos próximos meses. Por isso, o mercado acompanha de perto o desenvolvimento das plantações e a entrada da nova produção.

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O que isso significa para o consumidor?

Na prática, a alta no campo pode chegar gradualmente aos supermercados. Como o feijão é um dos alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros, qualquer aumento significativo no custo do produto chama a atenção das famílias, especialmente daquelas que precisam controlar os gastos com alimentação.

A tendência para os próximos meses dependerá principalmente da oferta disponível, do avanço da próxima colheita e das condições climáticas nas regiões produtoras. Se a produção for prejudicada e a oferta continuar limitada, os preços poderão permanecer pressionados. Por outro lado, uma entrada maior de feijão novo no mercado poderá ajudar a aliviar as cotações.

O consumidor, portanto, deve continuar atento aos preços e pesquisar antes de comprar. A alta do feijão-preto já é expressiva no campo, e o comportamento da próxima safra será decisivo para saber quando o produto poderá voltar a ficar mais barato nas prateleiras.

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