Matheus Moreira Pirolo alerta para os riscos da automedicação, destacou apreensão de mais de R$ 15 milhões em produtos irregulares e reforça a importância da fiscalização para proteger a saúde da população
Na manhã desta quinta-feira, 11, o gerente da Vigilância Sanitária Estadual da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES-MS), Matheus Moreira Pirolo, participou do Jornal da Caçula, da 96 Caçula FM, onde abordou as principais ações desenvolvidas pela Vigilância Sanitária no Estado, com destaque para o combate ao comércio ilegal de canetas emagrecedoras e outros produtos que representam riscos à saúde pública.
Durante a entrevista, Pirolo revelou que Mato Grosso do Sul se tornou uma das principais frentes de fiscalização contra a entrada irregular desses medicamentos no Brasil. Segundo ele, as chamadas canetas emagrecedoras, utilizadas para perda de peso, vêm sendo alvo de operações permanentes realizadas em parceria com forças de segurança e órgãos de fiscalização.

De acordo com o gerente estadual, muitas dessas canetas são introduzidas ilegalmente no país através da fronteira com o Paraguai e chegam aos consumidores sem qualquer garantia de procedência, armazenamento adequado ou controle sanitário.
“Estamos falando de medicamentos sujeitos a controle especial, que provocam alterações importantes no organismo humano. O uso sem acompanhamento médico pode causar danos graves à saúde, incluindo problemas renais, hepáticos, pancreáticos e até casos fatais”, alertou.
APREENSÃO MILIONÁRIA
Pirolo destacou que uma operação permanente realizada no Centro de Triagem dos Correios, em Campo Grande, já resultou na apreensão de mais de uma tonelada de canetas e ampolas irregulares desde fevereiro deste ano.
O valor estimado dos produtos apreendidos ultrapassa R$ 15 milhões, tornando-se uma das maiores operações sanitárias do país voltadas ao combate desse tipo de medicamento.
Segundo ele, cerca de 70% dos produtos interceptados tinham como destino estados da região Nordeste, onde o valor de revenda pode chegar a cinco vezes o preço praticado na fronteira. “Mato Grosso do Sul não pode servir como corredor para o crime. Estamos trabalhando para impedir que essas substâncias cheguem aos consumidores e coloquem vidas em risco”, afirmou.
INCINERAÇÃO INÉDITA
Um dos anúncios feitos durante a entrevista foi a realização do primeiro ato público de incineração de medicamentos emagrecedores irregulares do Brasil.
A ação ocorrerá na próxima semana, em Dourados, e contará com escolta da Polícia Rodoviária Federal durante o transporte do material apreendido. A iniciativa tem como objetivo demonstrar transparência nas ações de fiscalização e reforçar a mensagem de que medicamentos ilegais não retornam ao mercado e não podem ser comercializados ou reaproveitados.
COMBATE AO CIGARRO ELETRÔNICO
Outro tema abordado foi o avanço do consumo de cigarros eletrônicos, especialmente entre jovens. Pirolo classificou os dispositivos como uma das maiores preocupações atuais da Vigilância Sanitária e destacou que estudos apontam graves danos pulmonares associados ao uso desses produtos.

Segundo ele, Mato Grosso do Sul desenvolverá uma série de ações educativas e fiscalizatórias entre os meses de junho e agosto, período que compreende campanhas nacionais de combate ao tabagismo.
FISCALIZAÇÃO QUE PROTEGE A POPULAÇÃO
O gerente estadual também ressaltou o trabalho realizado pelas vigilâncias sanitárias municipais, incluindo a equipe de Três Lagoas, que, segundo ele, possui atuação destacada na fiscalização de estabelecimentos, serviços de saúde, farmácias, clínicas e demais segmentos ligados à saúde pública.
Durante sua agenda na cidade, Matheus Pirolo participou de reuniões técnicas com representantes da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e realizou auditorias em ações desenvolvidas na região da Costa Leste.
Para ele, a Vigilância Sanitária exerce um papel fundamental na proteção da população, atuando como um “segundo olhar” sobre produtos e serviços que impactam diretamente a saúde das pessoas.
“A população muitas vezes não vê o trabalho da Vigilância, mas ela está presente em farmácias, clínicas, restaurantes, supermercados e diversos outros locais. Nosso papel é garantir que aquilo que chega ao consumidor seja seguro e não represente riscos à saúde”, concluiu.


