Geral – 28/03/2013 – 10:03
Enquanto seu país prosperava, a maioria dos sul-coreanos amplamente desconsiderava a constante ameaça de um ataque da Coreia do Norte. Mas avanços em mísseis e no programa nuclear e fortes ameaças de guerra têm aumentado os temores no Sul de que até mesmo pequenos erros de cálculo de novos e inexperientes líderes possam ter consequências desastrosas.
Reuters
Soldados sul-coreanos de unidade blindada participam de disparo em campo em Pocheon, a 15 km de zona desmilitarizada que separa a Coreia do Sul da Coreia do Norte
Agora, essa nova sensação de vulnerabilidade faz com que alguns influentes sul-coreanos quebrem um tabu de décadas ao pedir abertamente que o Sul desenvolva seu próprio arsenal nuclear, um movimento que poderia aumentar o que está em jogo em uma das regiões mais militarizadas do mundo.
Embora poucos em Seul acreditem que isso deverá acontecer a qualquer momento, duas pesquisas de opinião recentes mostraram que dois terços dos sul-coreanos apoiam a ideia exposta por um pequeno mas crescente número de políticos e colunistas – um reflexo, de acordo com analistas, da mudança de atitudes desde o teste nuclear subterrâneo da Coreia do Norte em 12 de fevereiro, o terceiro desse país desde 2006.
“O terceiro teste nuclear foi para a Coreia do Sul o que a crise dos mísseis em Cuba significou para os EUA”, disse Han Yong-sup, um professor de política de segurança na Universidade Nacional de Defesa da Coreia, em Seul. “Ele fez com que a ameaça da Coreia do Norte parecesse muito próxima e real.”
Mas, além do medo imediato de uma provocação militar, analistas disseram que a Coreia do Sul também está preocupada. Um dos maiores medos é o ressurgimento de antigas preocupações sobre a confiabilidade do protetor de longa data dessa nação, os EUA, que têm procurado assegurar seu aliado de que continuará comprometido com a região.
Especialistas afirmaram que a discussão sobre aquisição de armas nucleares pela Coreia do Sul é uma forma oblíqua de expressar os medos de um número pequeno mas crescente de sul-coreanos de que os EUA, por causa de cortes orçamentários ou por falta de vontade, podem um dia não agir como um porto seguro político da Coreia do Sul.
“Os americanos não acreditam que as armas nucleares da Coreia do Norte sejam uma ameaça direta”, disse Chung Mong-joon, um filho do fundador do grupo industrial Hyundai e ex-líder do partido do governo, que tem sido o principal proponente do desenvolvimento de um programa de armas nucleares da Coreia do Sul. “Em um momento de crise, não há 100% de certeza de que os americanos nos protegerão com seu guarda-chuva nuclear.”
Por Martin Fackler e Choe Sang Hun
Fonte: IG


