Caio César Nascimento diz que crime aconteceu após discussão, culpa álcool e nega outros crimes durante audiência
Durante audiência de instrução e julgamento realizada na tarde desta segunda-feira, 27, em Campo Grande, o músico Caio César Nascimento confessou ter matado a jornalista três-lagoense Vanessa Ricarte, crime ocorrido em fevereiro de 2025. O réu prestou depoimento perante a Justiça e admitiu ter atingido a vítima com uma facada após uma discussão entre o casal.
Segundo o acusado, o crime aconteceu no dia em que ambos decidiram encerrar o relacionamento. Em seu relato, Caio afirmou que se aproximou da jornalista com intenção inicial de agredi-la, mas pegou uma faca que estava sobre a mesa e desferiu o golpe no peito da vítima.
O réu alegou que estava emocionalmente abalado e sob efeito de bebida alcoólica no momento da agressão. Ele também disse não se recordar de todos os detalhes do crime, apesar do laudo apontar três facadas.
Durante a audiência, Caio declarou que não tinha intenção de matar Vanessa e classificou o ato como impulsivo. Segundo ele, em “sã consciência” jamais teria coragem de tirar a vida de alguém, atribuindo parte da responsabilidade ao consumo de álcool.
Sobre a presença de um amigo da jornalista no local, o acusado negou ter tentado atacá-lo ou persegui-lo após o crime. Também negou as acusações de violência psicológica e cárcere privado contra a vítima.
No entanto, admitiu que tentou divulgar um vídeo íntimo de Vanessa nas redes sociais, afirmando que agiu por retaliação no calor do momento, mas que a plataforma bloqueou a publicação. O advogado da família da jornalista afirmou que o depoimento apresentou contradições e destacou que o réu negou a maioria das acusações, confessando apenas o feminicídio.
O caso é conduzido pelo juiz Carlos Alberto de Almeida Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, e segue avançando para a fase final da instrução processual.
Vanessa Ricarte foi morta no dia 12 de fevereiro de 2025 com três golpes de faca. No mesmo dia, ela havia registrado denúncia contra o ex-noivo na Delegacia de Atendimento à Mulher.
Investigações apontaram ainda um histórico de perseguição e violência psicológica. Relatório do Gaeco revelou que a jornalista foi obrigada a compartilhar localização em tempo real e teve aparelhos monitorados pelo acusado.
O Ministério Público denunciou Caio por feminicídio, cárcere privado, violência psicológica e tentativa de homicídio contra o amigo da vítima. Parte dessas acusações, porém, foi rejeitada pela Justiça por falta de elementos suficientes na denúncia inicial.


