Com onda de calor e estiagem, Corpo de Bombeiros alerta quanto às condições climáticas favoráveis a novos incêndios em MS.
CORREIO DO ESTADO – Outubro mal começou, e Mato Grosso do Sul já registra 147 focos de incêndios, grande parte deles no Pantanal. Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que, até o início deste mês, o número de focos de incêndio no Estado já é mais que o triplo do registrado em igual período em setembro, quando foram detectados 40 pontos de calor.
Tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso do Sul (CBMMS), Tatiane Dias de Oliveira Inoue fez um alerta quanto às condições climáticas que o Estado enfrenta com as ondas de calor e o impacto das queimadas que ocorrem em diversas regiões. “As altas temperaturas e a baixa umidade do ar compõem um cenário que facilita a propagação dos incêndios florestais. Por isso, é tão importante ficarmos em alerta. Porque a vegetação, por conta do período de estiagem, encontra-se muito seca, o que facilita a propagação dos incêndios florestais”, advertiu.
De acordo com a tenente-coronel, tanto no meio urbano quanto no meio rural é preciso ficar em observação para que os incêndios não tomem proporções maiores. “E lembre-se: no caso de detecção de incêndios, contate em imediato o Corpo de Bombeiros Militar”, disse. Tatiane destacou que Mato Grosso do Sul tem características peculiares que propiciam a propagação de incêndios e que, por consequência, dificultam o acesso de brigadistas do CBMMS em algumas regiões.
Segundo Tatiane, após as temporadas sequenciais de incêndios florestais severos, o Estado investiu bastante na compra de aeronaves específicas para o combate de incêndios florestais e equipamentos de última geração, além na capacitação dos profissionais do CBMMS e na aquisição de novos equipamentos de proteção individual. “Tudo tem dado resultado. Neste ano, já nos deparamos com oito grandes incêndios, todos eles com média de combate de até cinco dias, diferentemente de outras temporadas, em que era comum ficarmos 11 dias em uma região de combate, principalmente naquelas regiões de difícil acesso, para podermos alocarmos recursos para esse combate”, explicou.
MAIORES QUEIMADAS
As maiores queimadas já registradas neste ano ocorrem no entorno do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, unidade de conservação que serve de refúgio para a fauna pantaneira, e no município de Bonito. O fogo na região do Rio Negro começou na manhã de domingo, quando duas guarnições de especialistas em combate a incêndios florestais foram deslocadas para o local.
À frente das operações, a tenente-coronel conversou com o Correio do Estado e esclareceu que as condições de estiagem, calor extremo e ventos fortes propiciam o avanço das queimadas. Até o momento, já foram 571 hectares da reserva consumidos pelo fogo. Outras duas áreas queimam próximo a Corumbá e no Pantanal do Paiaguás, em Coxim. Os bombeiros usam aeronaves para controlar as chamas, que estão sendo combatidas há uma semana na região.
O fogo se alastrou nessas áreas após queimar 637 hectares em Bonito, principal destino turístico do Estado. No município, as queimadas duraram cinco dias e já foram extintas.


