O novo aplicativo de celular prevê monitorar o contato entre pessoas sadias e confirmadas com o novo coronavírus
11/05/2020 13h20
Por: Patrícia Fernandes com informações do Correio do Estado
MATO GROSSO DO SUL (MS) – O Estado negocia a liberação de um aplicativo de celular que monitora o contato entre pessoas sadias e confirmadas com o novo coronavírus. Decisões que afrouxam o isolamento social, especialmente a volta das aulas presenciais, devem ser tomadas somente quando a população local já tiver acesso à ferramenta.
O epidemiologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Estado, Júlio Croda, ressalta que a plataforma deve ser combinada com outras medidas, pois sozinha não será capaz de evitar uma explosão de contaminados. A ideia é manter a curva achatada, como tem sido nas últimas semanas.
Para isso, é preciso associar a ferramenta a uma quantidade massiva de testes. Além disso, a situação deve ser avaliada região por região. Municípios com a média de casos em ascensão precisam de mais tempo de isolamento.
O aplicativo foi batizado de Dycovid. Ele foi criado por uma startup de Pernambuco, a partir de um desafio proposto pelo Ministério Público do estado nordestino por meio do setor de tecnologia MPLabs.
RASTREAMENTO
O gerente de Inovações do órgão, Roberto Arteiro, diz que o governo pediu algumas funcionalidades extras, como a liberação de “vouchers” para o drive-thru nos casos em que os usuários constatarem que ficaram muito perto de pessoas infectadas por longos períodos de tempo.
“A ferramenta permite o rastreamento de contatos. Uma vez que as pessoas instalam o APP, são cruzadas as informações de geolocalização dos aparelhos. Tudo é feito de maneira anônima. Nós pressupomos que, se os celulares estão em contato, as pessoas por trás deles também estão”, explica.
O único dado que o usuário fornece ao programa é o número do telefone. Para descobrir quem testou positivo, é necessário que o poder público permita uma conexão com o sistema de consulta aos resultados dos exames, que em Mato Grosso do Sul é coordenado pelo Laboratório Central (Lacen).
Assim, as pessoas conseguirão saber se ficaram perto de um paciente contaminado. A plataforma mostra quanto tempo durou o contato e se a distância era segura. Caso contrário, um alerta se acende: o usuário se tornou um caso suspeito.
“O Dycovid vai gerar uma chave de acesso ao sistema, mas ele não guarda qualquer tipo de informação da pessoa. O dado é vinculado ao celular. Assim, não tem como dizer quem era o caso confirmado que o usuário chegou perto”, diz Arteiro.
Segundo ele, em Pernambuco, as pessoas que receberam o alerta se isolaram por conta própria, inclusive de parentes próximos. No Estado, se tudo der certo, a pessoa poderá fazer a coleta de material biológico, que será testado e confirmará se ela está ou não com a doença.
“A startup está negociando uma contrapartida com o governo de Mato Grosso do Sul. Nós investimos junto da Secretaria de Saúde pernambucana. Precisamos que outros estados invistam um pouco mais para que a ferramenta continue evoluindo em larga escala. Além disso, os estados também terão custos para armazenamento de dados na nuvem. Imaginem milhões de pessoas reportando localizações a cada minuto?”, pondera.
NEGOCIAÇÃO
O titular da Secretaria de Saúde, Geraldo Resende, confirmou que há uma equipe liderando as tratativas para trazer o aplicativo o mais rápido possível para Mato Grosso do Sul. Inclusive, o secretário já o mencionou em uma das transmissões ao vivo pela internet, feitas diariamente para atualização do número de casos.
“A grande questão que precisamos responder é: retornando as atividades, os casos que forem aparecendo poderão ser identificados e isolados precocemente? Por isso, algumas coisas são importantes. Primeiro, identificar e testar o paciente com sintomas, segundo, 70% das pessoas terão que usar máscaras”, completa Croda.



