Mais de 49 mil quilos de papel reciclados em 2025 geram recursos para instituição que atende pessoas com deficiência.
Por trás da rotina administrativa do Detran-MS, um trabalho silencioso tem gerado impacto ambiental e social significativo em Mato Grosso do Sul. Somente em 2025, cerca de 49,2 mil quilos de documentos em papel receberam destinação adequada, deixando de ocupar espaço físico nas agências e sendo transformados em recurso financeiro para o Cotolengo Sul-Mato-Grossense.
O volume processado impressiona: mais de 1 milhão de publicações de processos de CRV (Certificado de Registro de Veículo) em Diário Oficial, aproximadamente 380 mil processos recolhidos nas agências e mais de 1,1 milhão de documentos vindos do interior do Estado. Ao todo, 39 unidades participaram da iniciativa, que também incluiu a análise e eliminação de arquivos acumulados ao longo de décadas.
Antes da reciclagem, o material passa por um rigoroso processo. A triagem começa nas agências, segue para recolhimento e digitalização, e depois passa por publicação oficial, garantindo transparência e prazo para manifestações. Só então ocorre a destinação final, com acompanhamento direto da equipe para assegurar a proteção de dados sensíveis.
É nessa etapa que o projeto ganha um caráter social. Desde 2017, o papel reciclado é convertido em recursos financeiros repassados ao Cotolengo, com base no peso do material. A instituição utiliza os valores para manutenção, melhorias estruturais e alimentação dos assistidos.
Segundo o diretor-presidente da entidade, Padre Valdeci Marcolino, a parceria tem impacto direto no atendimento. “Esse apoio contribui para a qualidade de vida das pessoas atendidas e fortalece nossa missão de acolhimento”, destacou.
A iniciativa também reflete o avanço da digitalização no órgão. Processos que antes exigiam papel, como o CRLV, hoje são majoritariamente eletrônicos, reduzindo a produção de novos documentos físicos. Ainda assim, o acervo acumulado ao longo dos anos demanda organização e destinação responsável.
Durante esse trabalho, surgiram registros históricos curiosos, como documentos de cocheiros entre 1949 e 1958, que retratam a transição para o uso de automóveis no Estado. Parte desse material foi preservada pela relevância histórica.
Servidor com mais de quatro décadas de atuação no órgão, Wanderluiz Ribas Espíndola acompanhou de perto essa transformação. À frente da comissão por cerca de dez anos, ele destaca a evolução do modelo, que hoje alia organização, sustentabilidade e responsabilidade social.
A iniciativa se alinha à política de modernização e sustentabilidade do governo estadual, liderado por Eduardo Riedel, mostrando que a gestão pública pode ir além da burocracia e gerar benefícios concretos para a sociedade.


