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segunda-feira, 11 de maio, 2026

Brasil ainda convive com graves desigualdades no acesso a saneamento básico

Quase 30% dos domicílios não têm ligação à rede de esgoto; Norte e Nordeste concentram os piores índices

Cerca de 29,5% dos domicílios brasileiros ainda não possuem ligação com a rede geral de esgoto, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta sexta-feira (22) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso equivale a três em cada dez lares entre os aproximadamente 77 milhões registrados em 2024.

O índice representa uma leve melhora em relação a 2019, quando 32% dos lares estavam fora da rede de esgotamento. No ano passado, 70,4% dos domicílios contavam com algum tipo de ligação com a rede geral, número que inclui tanto as casas conectadas diretamente à rede coletora quanto aquelas com fossas sépticas interligadas.

Tipos de esgotamento

A distribuição dos domicílios por tipo de esgotamento sanitário mostra que 63,9% têm ligação com rede geral ou fluvial. Outros 6,5% contam com fossa séptica ligada à rede, enquanto 15,1% utilizam fossas não conectadas. Há ainda 14,4% de residências que recorrem a formas rudimentares de esgotamento, como valas ou córregos.

A pesquisa do IBGE não avalia se o esgoto coletado é tratado. Um estudo divulgado na última terça-feira (19) pelo Instituto Trata Brasil revelou que apenas 51,8% do esgoto produzido no país passa por tratamento adequado.

Desigualdades regionais

As disparidades regionais são marcantes. Enquanto no Sudeste 90,2% dos lares têm acesso à rede geral, no Norte essa taxa despenca para apenas 31,2%. A Região Nordeste também está abaixo da média nacional, com 51,1%. O Sul (70,2%) e o Centro-Oeste (63,8%) apresentam percentuais intermediários.

No Norte, o tipo de esgotamento classificado como “outros”, que inclui soluções precárias como valas ou fossas rudimentares, é o mais comum, presente em 36,4% dos domicílios da região, mais que o dobro da média nacional.

Estados com melhores e piores índices

Entre os estados, São Paulo lidera com 94,1% dos domicílios conectados à rede geral, seguido por Distrito Federal (91,1%), Rio de Janeiro (89,2%) e Minas Gerais (84,6%).

Na outra ponta, as piores taxas estão no Piauí (13,5%), Amapá (17,8%), Rondônia (18,1%) e Pará (19,3%).

No recorte urbano e rural, o contraste também é expressivo: nas cidades, 78,1% dos domicílios têm rede de esgoto; no campo, esse número cai drasticamente para 9,4%.

Abastecimento de água: presença é alta, mas fornecimento diário varia

A Pnad também investigou o abastecimento de água. Em 2024, 86,3% dos domicílios do país tinham a rede geral de distribuição como principal forma de abastecimento. No entanto, o fornecimento diário dessa água não é garantido em todos os casos.

Rondônia é o único estado onde menos da metade dos domicílios (47,4%) têm acesso à rede geral como forma principal de abastecimento. São Paulo (96,6%) e o Distrito Federal (96,5%) têm os melhores índices.

Quando se trata de fornecimento diário de água, o Brasil tem uma média de 88,4%. Pernambuco (44,3%) e Acre (48,5%) estão entre os piores desempenhos. Já o Distrito Federal (98,2%) e Mato Grosso do Sul (98%) lideram.

Coleta de lixo chega a 87% dos domicílios

De acordo com o levantamento, 86,9% dos lares brasileiros contam com serviço de coleta de lixo. A destinação do lixo nos demais casos se divide entre o uso de caçambas (6,2%), queima na propriedade (6,1%) e outras formas (0,8%).

No Norte (14,4%) e Nordeste (13,1%), a prática de queimar o lixo na propriedade é mais do que o dobro da média nacional.

Qualidade das moradias melhora no Norte

A estrutura dos domicílios também foi analisada. Nacionalmente, 89,3% das residências têm paredes de alvenaria com revestimento. No Norte, essa taxa passou de 61,5% em 2016 para 71,2% em 2024.

O uso de cerâmica, lajota ou pedra no piso também aumentou na região, de 58,2% para 69,3%. No país, esse tipo de revestimento está presente em 82,3% das moradias.

Com informações Agencia Brasil

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