Psicóloga e assistente social da instituição reforçaram a importância do acolhimento e da rede de apoio às vítimas de violência
Com a proximidade do Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo, 08, o debate sobre a violência contra a mulher ganha ainda mais relevância em todo o país. A data, além de marcar conquistas históricas das mulheres, também serve como momento de reflexão sobre desafios que ainda persistem, como os altos índices de violência doméstica e a necessidade de fortalecer políticas públicas de proteção, acolhimento e prevenção.
Em entrevista à 96 Caçula na última sexta-feira, 06, a psicóloga Leila Alba e a assistente social Ana Carolina Lima, integrantes do Centro de Referência de Atendimento à Mulher Halley Coimbra (CRAM) de Três Lagoas destacaram que o trabalho realizado ao longo de todo o ano, com ações de prevenção, orientação e acolhimento a mulheres em situação de violência.
Segundo Leila Alba, o objetivo do centro é oferecer apoio emocional e ajudar as mulheres a romper o ciclo da violência. “O CRAM é uma casa de acolhimento. A mulher chega muitas vezes muito fragilizada, vulnerável, e o nosso trabalho é caminhar junto com ela, compreender o que aconteceu e ajudá-la a ressignificar essa situação para que consiga seguir em frente”, explicou.
A psicóloga também ressaltou que muitas vítimas não percebem imediatamente que vivem em um relacionamento abusivo, principalmente por causa do chamado ciclo da violência, que envolve momentos de agressão, pedidos de desculpas e reconciliação. “Muitas mulheres chegam sem perceber a dependência emocional em que estão. A violência começa de forma sutil, com ofensas e controle, e vai aumentando ao longo do tempo. Nosso papel é ajudar a identificar esse processo e fortalecer essa mulher para que ela possa romper com essa realidade”, afirmou.
AUMENTO NA PROCURA POR ATENDIMENTO
De acordo com a assistente social Ana Carolina Lima, o CRAM tem registrado aumento significativo na procura por atendimento nos últimos meses. Segundo ela, a equipe percebeu crescimento na demanda principalmente a partir de outubro do ano passado. “Realmente tivemos um aumento que até nos surpreendeu. Por isso, reorganizamos nossa forma de atendimento e ampliamos a equipe para conseguir acolher melhor essas mulheres”, destacou.
A profissional explica que muitas vítimas chegam ao CRAM encaminhadas pela Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM), após registrarem boletim de ocorrência. No entanto, o atendimento também pode ocorrer por demanda espontânea. “O primeiro passo é o acolhimento. Essa mulher precisa ser ouvida. Muitas chegam extremamente abaladas, após anos de violência. No CRAM, oferecemos escuta qualificada, orientações e encaminhamentos necessários para que ela tenha apoio e não se sinta sozinha”, disse.
Segundo Ana Carolina, a maioria das mulheres atendidas tem entre 25 e 50 anos, embora o serviço também receba casos envolvendo jovens e idosas.
REDE DE APOIO E ACOMPANHAMENTO
Após o primeiro atendimento, as mulheres podem receber acompanhamento psicológico e social por um período que varia conforme cada caso. O suporte inclui orientações jurídicas, encaminhamentos para serviços da rede de proteção e apoio emocional. “Dependendo da situação, acompanhamos essa mulher por até seis meses. Cada caso é único. O importante é que ela saiba que existe uma rede de apoio preparada para ajudá-la”, explicou a assistente social.
Além do atendimento direto às vítimas, o CRAM também desenvolve ações educativas e preventivas em escolas e instituições, com o objetivo de conscientizar a população e reduzir os casos de violência.
PREVENÇÃO COMO PRINCIPAL CAMINHO
Para Leila Alba, combater a violência contra a mulher exige mudanças culturais e ações preventivas, principalmente por meio da educação. “A prevenção é fundamental. Precisamos falar sobre respeito, igualdade e relações saudáveis desde cedo. Quando trabalhamos com jovens e crianças, estamos ajudando a construir uma sociedade mais consciente e menos violenta”, afirmou.
As profissionais também ressaltaram a importância da denúncia e da participação da sociedade na proteção das vítimas. Segundo elas, muitas situações de violência poderiam ser interrompidas mais cedo se familiares, amigos ou vizinhos buscassem ajuda ou denunciassem os casos.
O CRAM de Três Lagoas funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, oferecendo atendimento gratuito e especializado para mulheres em situação de violência, com equipe formada por profissionais das áreas de psicologia, serviço social e orientação jurídica.


