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Atirador norueguês usou videogame para planejar ataque

Geral – 19/04/2012 – 12:04

Breivik passou quase um ano isolado da sociedade para se dedicar aos jogos

O ultradireitista Anders Behring Breivik, que está sendo julgado em Oslo pelos atentados de 22 de julho de 2011, nos quais morreram 77 pessoas, afirmou nesta quinta-feira (19) que usou jogos de computador para preparar os ataques do ano passado. O assassino afirmou que passou quase um ano inteiro isolado da sociedade para dedicar horas a fio a um videogame.

Breivik declarou que passou “muito tempo” jogando Modern Warfare, jogo de tiro em primeira pessoa, e que também dedicou quase um ano a World of Warcraft, jogo de guerra para vários jogadores, com mais de 10 milhões de participantes on-line.

“Eu realmente não gosto desses jogos, mas é bom se você quer simular para propósitos de treinamento”, disse Breivik, que sorriu ao descrever o sistema de mira de Modern Warfare.

Breivik matou oito pessoas com um carro-bomba no centro de Oslo e, logo em seguida, assassinou a tiros outras 69 — a maioria adolescentes — em um acampamento do Partido Trabalhista numa ilha próxima à capital norueguesa.

Desde segunda-feira (16), primeiro dia de julgamento, Breivik já admitiu os assassinatos, mas declarou ser inocente e ter agido em legítima defesa, já que para ele as vítimas eram traidores que ameaçavam a pureza étnica norueguesa ao apoiarem a imigração e o multiculturalismo.

Breivik disse que no Réveillon de 2010 para 2011 passou 17 horas seguidas jogando Modern Warfare, e acrescentou que jogos desse tipo serviam para simular a reação policial ao atentado e a melhor estratégia de fuga.

— Calculei a probabilidade de sobreviver ileso em menos de 5%.

A chance de sobreviver, disse, se referia ao atentado a bomba entre prédios governamentais, quando ele esperava ser cercado por policiais.

— Eu me treinei para sair dessa situação. Era isso que eu estava simulando.

Mitologia

Quando adquiriu as armas a serem usadas nos ataques, ele as batizou com nomes da mitologia nórdica.

— O rifle eu chamei de Gungnir, que é o nome da lança mágica de Odin, que volta depois que você a atira. E a Glock eu chamei de Mjoelnir (…), era o martelo do deus guerreiro Thor.

Ele usou runas (um arcaico alfabeto nórdico) para marcar os nomes nas armas.

Durante a preparação, ele foi morar com mãe, para economizar, e dedicava muitas horas aos games de guerra, o que preocupava a mulher.

— É claro que eu não podia dizer a ela que estava tirando um sabático porque ia me explodir dentro de cinco anos (…). Era um sonho que eu tive, e eu queria realizar.

O julgamento de Breivik deve durar dez semanas. A principal dúvida é se ele será considerado mentalmente apto para ser julgado e cumprir a pena. Breivik disse que ser considerado mentalmente incapaz seria uma humilhação “pior que a morte”.

Uma junta de psiquiatras nomeada pelo tribunal o considerou insano, mas outra o considerou apto.

Na quarta-feira, Breivik disse que deveria ser absolvido ou executado, e que a possibilidade de cumprir pena de prisão é “patética”.

Durante o julgamento, Breivik tem insistido que comanda um movimento nacionalista de resistência, e que em 2002 foi admitido em Londres numa ordem de militantes nacionalistas chamada Cavaleiros Templários. Ele, no entanto, se recusou a responder mais de cem perguntas sobre o assunto.

Fonte: R7

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