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Após o protesto da Famasul, agora CIMI aciona Corregedoria contra a PF

Geral – 20/05/2013 – 16:05

Se era para evitar tensão, por pouco a Polícia Federal não provocou um levante muito maior dos índios e produtores rurais na fazenda Buriti, área invadida na quarta-feira passada por cerca de 350 famílias.

No sábado, dia em que acabava o prazo para reintegração de posse expedida pela Justiça, os ânimos ficaram exaltados contra a PF, tanto do lado dos ruralistas, quando dos terena.

O CIMI (Conselho Indigenista Missionário) vai acionar a Corregedoria e o Ministério Público Federal depois de ter material apreendido e todos os integrantes “fichados” a mando de delegado que comandava a operação.

A Famasul (Federação de Agricultura de Mato Grosso do Sul) também enviou nota contra a Polícia Federal, questionando a prisão do proprietário da fazenda, o ex-deputado Ricardo Bacha, retirado pelos policiais da sede da fazenda.

Na internet, um vídeo postado no domingo mostra um desses episódios. Policial, identificado como delegado Alcídio de Souza Araújo, apreendeu equipamento do fotógrafo do CIMI, Rui Spossati, sob o argumento de que nunca ouviu falar do Conselho. “Trabalho há 5 anos na Polícia Federal na parte de estrangeiros e nunca ouvi falar do CIMI”, repetiu várias vezes.

Depois, exigiu a identificação de todos os membros da organização presentes no local. “Fomos fichados, até os missionários tiveram os documentos fotocopiados. É intimidação. Isso demonstra, acima de tudo, abuso do poder policial”, comenta o coordenador do Conselho no Estado, Flávio Machado.

Apesar de vários jornalistas também estarem na área fazendo a cobertura, nenhum teve de apresentar documentação para se identificar.

A atitude do delegado ali, em pleno conflito, provocou as lideranças indígenas que passaram a cercar o grupo e exigir a devolução dos equipamentos. Os profissionais do CIMI dizem que acabaram desistindo de reaver os aparelhos naquele momento e acalmaram os ânimos dos terena para evitar uma confusão maior.

“Fomos chamados pelos índios para acompanhar a reintegração, mas havia muitas outras organizações ali, como a Conferencia dos Religiosos do Brasil. Nenhuma foi intimidada, só nós”, protesta Flávio.

O CIMI deve entrar hoje com pedido de mandado de segurança para ter os equipamentos de volta. A Polícia Federal apreendeu 2 computadores e 1 gravador.

Fonte: Campo Grande News

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