24/01/2016 – Atualizado em 24/01/2016
Alguns lojistas estão com mais de 800 peças encalhadas e equipamento passou a ter outras finalidades
Por: O Liberal
É época de liquidação para quem está buscando um extintor para carros. Para fugir do prejuízo deixado após a decisão do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) – que desobrigou o uso dos equipamentos contra incêndio em veículos de passeio em setembro do ano passado -, os comerciantes do ramo estão vendendo o produto a preço de custo.
As peças, que às vésperas da determinação entrar em vigor, estavam custando até R$ 100, hoje estão sendo vendidas por R$ 49,90.
“A situação ficou muito ruim. A gente não conseguia comprar do fornecedor na época de maior procura. Quando conseguimos uma brecha, compramos muitas unidades de uma vez só, à vista. Poucos dias depois, caiu a obrigatoriedade e agora ficamos aqui com esse ‘elefante branco'”, comentou o gerente de uma autopeças em Santa Bárbara d’Oeste, Valdinei Paiva Ferreira.
Ele diz que está com cerca de 320 peças em estoque. “Comprei por R$ 60. Então, é só multiplicar para ver o tamanho do meu prejuízo”, relatou.
Outro que ficou com um grande problema em mãos foi Antônio Hortense, dono de uma revenda em Americana. O lojista está com mais de 800 extintores no estoque.
“Um dia antes da lei cair, fizemos um pedido de aproximadamente mil peças. Até agora, mesmo fazendo liquidação, continuo com centenas no estoque”. Hortense contou ainda que o prejuízo ultrapassou R$ 80 mil. “Era para eu ter vendido R$ 100 mil e vendi apenas R$ 20 mil. Era um dinheiro que investimos para depois reformar a loja, trocar equipamentos e melhorar a empresa”, explicou.
Ao invés das melhorias, Hortense teve que lidar com uma crise. “Não foi apenas a proibição do Contran, mas a crise financeira também derrubou nossas vendas, principalmente de extintores para indústria. Por enquanto, estou dando férias para os funcionários e alguns estão afastados. Mas não temos muito serviço, não sei se dará para manter o posto de todos”, finalizou.
Precavidos
As poucas unidades que estão saindo nas lojas são comprados por donos de veículos mais antigos ou pelos consumidores mais precavidos. É o que conta o dono de uma revenda em Santa Bárbara, Paulo César de Lima.
“Não tomamos prejuízo porque eu estava trabalhando apenas com encomendas no ano passado. Mas a procura caiu na mesma hora. No dia seguinte a queda da decisão, o telefone não tocou nenhuma vez”, explicou.



