04/12/2014 – Atualizado em 04/12/2014
Por: G1.globo.com
Um rapaz discreto, calado, que gostava de cachorro, tinha poucos amigos e era extremamente educado. Esse é o perfil traçado pelos vizinhos de Jhonatan Lopes de Santana, de 23 anos, suspeito de ter matado seis pessoas e ferido gravemente outra. Os crimes chocaram quem conhecia a família. Com medo de ataques, mãe, pai e irmão, deixaram a residência, no Botujuru, em Mogi das Cruzes.
Quatro pessoas foram decapitadas em Mogi das Cruzes e uma em Poá. O jovem foi preso na quarta-feira (3) e, segundo a polícia, confessou seis homicídios. Em um dos casos não houve decapitação. A vítima foi esfaqueada. De acordo com a polícia, uma prima do suspeito registrou um ataque do jovem ao seu filho de 3 anos. A agressão teria acontecido no sábado (29) e ela afirma que Jhonatan tentou enforcar o menino. De acordo com o delegado seccional Marcos Batalha, ele atacava com golpes de machadinha na cabeça e depois decapitava as vítimas. Em depoimento, segundo a polícia, Jhonatan disse que alvo eram usuários de crack e moradores de rua, mas algumas das pessoas mortas seguiam para o trabalho quando foram atacadas.
A dona de casa Marta Jakobiu conhece a família desde que o suspeito tinha 2 anos. “Quando o pai e a mãe dele se mudaram para o bairro, o Jhonatan era pequeno. Ele é o caçula do casal que tem mais um filho, de 25 anos. Ele sempre foi muito educado. Às vezes ficava na frente de casa, lavando o carro ou sentado na calçada conversando com o irmão. Quando eu chegava, ele sempre cumprimentava. Se fosse um menino problemático, até esperaríamos este tipo de atitude, mas não. O que nos deixa mais chocados é que ele é de uma boa família, muito bem educado”, contou.
A vizinha descreve o suspeito como um rapaz muito reservado. “Ele sempre foi de falar muito pouco. Tanto que nós sabíamos pouca coisa da vida dele. Onde trabalhava e tudo mais. Mas ele sempre foi muito educado, fala bom dia, boa tarde e boa noite. Eu nunca tranquei o portão de casa quando chegava à noite. Eu via ele e o irmão na frente de casa e ficava tranquila, sabia que eles estariam olhando se alguém quisesse mexer”, garantiu.
Na tarde de quarta, mãe, pai e irmão do suspeito deixaram a casa com medo de represálias. As vizinhas ficaram responsáveis por “cuidar da residência”. “Se eu ver qualquer pessoa tentando pichar, invadir ou colocar fogo, vou ligar para a polícia na hora. Os pais não merecem isso”.
A filha da Marta chegou a estudar com Jhonatan durante o primário. “Eles brincavam juntos, iam pra escola. O Jhonatan tinha uma cadelinha preta e sempre a deixava em casa para a minha filha brincar. Eu não entendo de onde saiu toda essa violência.”
Era do muro do quintal da casa de Patrícia Shulz, que os vizinhos conversavam. “Aqui um ajudava o outro. Quando eu precisava de qualquer coisa, chamava os pais do Jhonatan pelo muro e conversávamos por ali mesmo. Eram vizinhos silenciosos, tranquilos”, disse.
Patrícia está cuidando do cachorro do suspeito, uma poodle chamada Maruska. “A mãe dele me pediu para que eu cuidasse, e como eles sempre foram ótimos vizinhos, não neguei ajuda. Não para ela, uma mãe que está sofrendo o que mãe nenhuma no mundo merece sofrer”, disse.
De acordo com o delegado Seccional, Marcos Batalha, o suspeito não tinha problemas com a Justiça e conflitos familiares. “Pelo menos pelas pesquisas que nós fizemos ele tem uma única passagem criminal por desacato, um crime sem gravidade. Geralmente as pessoas que praticam crimes tão bárbaros, crimes sequenciais, ou seja, diversas mortes, têm histórico de conflito, e acabam levando para esse lado, da violência. Esse sujeito não tem nada. Nunca passou por dificuldade, não tinha problemas. Nada que justificasse os crimes”, detalhou.
O caso
A Polícia Militar prendeu o ajudante geral depois que três pessoas foram encontradas decapitadas em Mogi das Cruzes na manhã desta quarta. Há ainda outra mulher que foi decapitada em Poá na noite de terça. Na segunda-feira, dois moradores de rua foram atacados também em Mogi. Um morreu e outro está internado no Hospital Luzia de Pinho Melo.
Mais tarde, ele também confessou o assassinato de uma mulher em um local conhecido como “Favela do Gica”, no distrito de Brás Cubas no sábado (29), segundo o delegado seccional Marcos Batalha.
No começo da noite de quarta, Batalha relatou mais um caso: um morador de rua ferido procurou a polícia dizendo ter sido atacado no domingo (30) em frente ao Hospital Luzia de Pinho Melo. Ele contou ter sido agredido com uma machadinha. Ferido, foi ao hospital. A vítima disse ter reconhecido Jhonatan em reportagens e procurou a polícia.
Além disso, o ajudante geral é suspeito de ter tentando matar uma criança de 3 anos.



