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Copa amplia risco de vírus raro no País se espalhar; entenda

01/05/2014 – Atualizado em 01/05/2014

Por: Terra

Um vírus considerado “primo distante da dengue” pode desembarcar no Brasil junto aos milhares de turistas que virão ao País acompanhar a Copa do Mundo de 2014. O alerta, feito em estudo do Journal of Virology e replicado em diversos órgãos da imprensa internacional de forma até exagerada com previsões de “epidemia catastrófica” – como o jornal canadense Global News e o britânico International Business Times -, é real: o vírus chikungunya, que só tem três casos documentados em território nacional, pode finalmente se alocar no Brasil graças ao Mundial.

Divulgado na prestigiosa publicação especializada em virologia, o estudo que apontou a possibilidade de o vírus, que apresenta sintomas parecidos com a dengue, se espalhar com a Copa do Mundo foi conduzido por um brasileiro. O Dr. Ricardo Lourenço, infectologista do Instituto Oswaldo Cruz, estudou a relação de espécies de mosquitos de toda a América com o vírus para chegar à conclusão de que a possibilidade da doença estabelecer-se no continente é plausível.

“Estudamos três tipos do vírus chikungunya e fomos testar na população da América da família Aedes, da América do Norte ao Sul. O que nós observamos é que os mosquitos daqui são bastante eficientes na transmissão do chikungunya”, explicou ao Terra o Dr. Ricardo Lourenço.

Assim como a dengue, o vírus chikungunya tem como um dos vetores o mosquito Aedes aegypti, encontrado em larga quantidade no Brasil e responsável pelos surtos de dengues no território nacional. A conclusão do estudo de Lourenço causa temor: os mosquitos nacionais são capazes de carregar o vírus chikungunya e de transmitir a doença até cinco vezes mais rapidamente do que a dengue. A Copa, no caso, aumenta a vulnerabilidade do país à doença com a chegada dos turistas internacionais.

“A Copa do Mundo aumenta nossa vulnerabilidade porque você já tem o espaço com o vetor competente, e aí muita gente vem de lugares com transmissão do chikungunya. Então junta tudo isso, você tem primeiramente um país com o mosquito transmissor e em segundo lugar você tem pessoas vindo para a Copa do Mundo neste momento. Aumenta muito a vulnerabilidade e as chances de transmissão”, contou Lourenço.

Especialista minimiza aumento de risco do vírus na Copa do Mundo
Apesar da manifestação expressa em estudo do Dr. Ricardo Lourenço, outros infectologistas não seguem a teoria de que a Copa do Mundo pode ser a responsável direta pela disseminação do chikungunya no Brasil. Para o médico infectologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Dr. Stefan Cunha, autor dos livros Pandemias: a Humanidade em Risco e A História do Século XX Pelas Descobertas da Medicina, o risco da doença se alastrar pelo País já é iminente, com ou sem Mundial.

“A tendência é ele se espalhar mesmo e eventualmente chegar ao Brasil. A gente vai ter uma quantidade grande de turistas aqui e essa quantidade pode estar em uma região antes que tem o chikungunya. Mas a quantidade de turistas que a gente tem entre o Caribe e o Brasil já basta para colocar o País em risco. Não precisa da Copa. acho que isso já é o suficiente. Por isso que eu não sei se a Copa pode aumentar tanto essa ameaça do vírus”, opinou ao Terra o Dr. Stefan Cunha.

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