28/04/2014 – Atualizado em 28/04/2014
Atrasos da Passaredo causam transtorno e revelam descaso com passageiros
Segundo os passageiros esse atrasos já são rotina
Por: Camila Nogueira
No último sábado (26) a equipe de reportagem da Rádio Caçula presenciou uma situação de caos no Aeroporto Municipal Plínio Alarcon, em Três Lagoas.
A empresa de linhas aéreas Passaredo, já conhecida por vários transtornos em praticamente em todos os seus voos , atrasou mais uma vez. Dessa vez o tempo de espera foi de mais de uma hora. O voo marcado para as 13:15 hs, só decolou de fato ás 15:10 hs.
Os passageiros, que chegaram cedo para fazer check-in, não foram avisados em relação ao atraso. Os clientes despachavam suas malas e pegavam suas passagens ouvindo apenas um “boa viagem” das funcionárias. E segundo outros passageiros, isso é comum. Eles não avisam sobre os atrasos e quando questionados não dão informações.
Uma das passageiras, uma senhora de 70 anos, que havia acabado de passar por uma cirurgia, andava com muita dificuldade com auxílio de uma bengala, e só soube do atraso por meio da equipe da Rádio. Ao saber a idosa demonstrou uma grande insatisfação.
“Isso é muito desagradável. O meu filho já passou por isso aqui também. Eu acabei de fazer uma cirurgia, não é fácil pra mim ficar esperando todo esse tempo”, confessou a idosa.
Uma outra passageira dependia do voo da Passaredo para chegar em São Paulo a tempo de pegar um avião de outra empresa para Belo Horizonte. Com o atraso da empresa, ela perdeu voo de conexão. Ao questionar a Passaredo, a mulher foi informada de que a empresa não se responsabilizaria e que não podiam fazer nada. Ela acabou dependendo da boa vontade da outra empresa para efetuar a troca de passagem para um voo mais tarde.
Também passageiro do voo atrasado, um advogado de São Paulo, o Doutor Geraldo Carlos dos Santos, informou que não é bem assim. A empresa que atrasou tem responsabilidade sim, o atraso deles causou a perda do outro avião, e, portanto, eles devem arcar com os prejuízos. Ele inclusive informou que no aeroporto de Guarulhos um Juizado de Pequenas causas resolve exatamente esse tipo de problema, e que a Passaredo pode ser obrigada a pagar o valor da passagem perdida.
Geraldo também se mostrou muito insatisfeito com a empresa. “Esses atrasos são uma coisa corriqueira. Na vinda para cá, saímos de São Paulo com uma hora e meia de atraso também. Eu perdi um compromisso aqui em Três Lagoas por causa desse atraso. Comprei o meu retorno já com compromisso marcado lá. E vou perder. Meu cliente, que está comigo, tinha uma reunião importantíssima ás 17hs em Barueri, mas a previsão para chegarmos em São Paulo é de 18hs”. O advogado relata que na Capital do Estado ele buscou informações e acabou descobrindo que os atrasos tão freqüentes ocorrem porquê os pilotos não residem em São Paulo, mas sim em Ribeirão Preto. E para se deslocarem até a Capital, eles sempre atrasam mais ou menos uma hora e meia. Geraldo ainda indagou “Ora, por que a Passaredo não vende aqui as passagens com uma e meia de atraso? Por que não vende para as 14:30? Deve-se tomar uma providência o mais rápido possível.”
Ana Carina Ribeiro Maximiano é de Araçatuba, mas agora mora em Três Lagoas e viaja constantemente para São Paulo. Ela estava na fila para comprar uma passagem quando soube do atraso e da confusão. “Vendo isso tudo, estou em dúvida se quero comprar a passagem.Fiquei desanimada. Estou achando que vou lá no Terminal Rodoviário e vou viajar de ônibus mesmo. Pelo menos chego em
São Paulo bem mais tranquila e sem me estressar”.
Ela ainda contou que já passou por situações terríveis por causa da Passaredo. “A pior situação, na minha opinião, foi um vôo de São Paulo para Três Lagoas que atrasou cinco horas. Era pra sair as 22:30 hs mas saímos de lá 03:30 hs da manhã. E se um dos passageiros não tivesse se exaltado um pouco e exigido nós não iríamos nem receber o lanche. Tinha um senhor que havia acabado de fazer uma cirurgia do coração e estava passando mal. Inclusive os funcionários ameaçaram chamar a Polícia Federal afirmando que nós havíamos sido muito agressivos, e que quando o avião chegasse nós não poderíamos embarcar até o Polícia chegar”.
Ana questionou a seriedade da Passaredo. “Nessa vez em São Paulo, nós ameaçamos chamar redes de televisão, mas eles não demonstraram nenhum receio.Isso chamou minha atenção, porque pra mim essa empresa é desconhecida. Ela teria que chegar aqui tentando ser séria, para conquistar credibilidade. Acho impressionante esse descaso com os passageiros”.
A Passaredo foi procurada pela equipe de reportagem da Rádio Caçula mas informaram que não iriam se manifestar sobre as causas dos atrasos.




