21.1 C
Três Lagoas
quarta-feira, 4 de fevereiro, 2026

Quem diz que a Parada virou carnaval é a mesma pessoa que nunca milita

Geral – 14/05/2013 – 14:05

Em menos de 20 dias, São Paulo vai sediar na mais famosa de suas avenidas a 17ª edição da Parada do Orgulho LGBT. E neste ano em que um deputado acusado de homofobia assumiu a Comissão de Direitos Humanos e Minorias do Congresso Nacional (CDHM), o caráter de combate ao preconceito e ao obscurantismo do evento se faz cada vez mais necessário.

Coordenador executivo da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT), que organiza o evento, Nelson Matias acredita que Parada paulistana, marcada para o próximo dia 2 de junho, vai cumprir plenamente o seu papel. Ele rebate a crítica recorrente de que o acontecimento virou um grande carnaval de época sem repercussão política.

“Dizer que a Parada virou carnaval é o equivalente a fazer um discurso pró Feliciano, quem fala isso é a mesma pessoa que não milita em nenhum momento do ano”, argumenta Matias, citando o controverso presidente da CDHM. “Nossa luta é uma luta de anos, mas quando chamamos a comunidade, nem toda ela não comparece”, completa.

Gestor ambiental e técnico de segurança, Matias, de 46 anos, entende que o seu papel é exatamente não deixar que a parada se desvirtue do seu objetivo. “Manter tudo nos eixos e não deixar o evento virar outra coisa, sou uma espécie de guardião”, explica ele. “Trazer visibilidade para a causa LGBT, sair do armário, levar para a rua as questões de gênero”, prossegue, elencando os objetivos do acontecimento na Avenida Paulista.

Matias é um dos fundadores da Parada, estando presente no evento desde a sua primeira edição oficial, em 1997. “Hoje se fala LGBT no lugar de GLS ou outros mil nomes, abordamos temas como homofobia e estado laico anos antes deles virem à tona, mas não é apenas função da Parada falar sobre isso, ainda bem que conseguimos evidenciar. Nossa articulação é para que isso aconteça o ano todo”, diz o coordenador, analisando a evolução ocorrida nessas 17 edições.

Muitos jovens e héteros

A Parada não atrai apenas homossexuais, como muita gente pode imaginar. “Cerca de 50% dos participantes é hétero” , revela Matias, acrescentando que a maior parte deles é atraída pelo caráter festivo do acontecimento, numa cidade carente de eventos de rua. “É uma festa também e não há nada de errado com isso”, pontua o coordenador.

“Hoje, o evento faz parte do calendário oficial da cidade, isso foi estabelecido por lei, então tem financiamento da prefeitura, que investe R$ 1,6 milhão. Segundo a SP Turis, o evento movimenta R$ 270 milhões a cada ano”, conta Matias. O custo total da Parada gira em entorno de R$ 2 milhões. Fora o investimento do governo municipal, há ainda os valores gerados com os trios elétricos patrocinados por casas noturnas e também com a renda gerada pelas barracas da Feira Cultural LGBT, que acontece do Vale do Anhangabaú.

O dinheiro é usado para infraestrutura do evento, como palco, iluminação, banheiros químicos e segurança, além da ajudar a financiar a APOGLBT, que conta com o apoio de voluntários.

André Giorgi

Além de coordenador executivo, Nelson Matias é um dos fundadores da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo

Público: 270 mil ou 3 milhões? 

Sobre a polêmica envolvendo o número de pessoas que passam pela Parada, Matias é taxativo. “Posso afirmar com toda certeza que não é,  não será ou foi aquele numero ridículo de 270 mil pessoas que a Folha publicou no ano passado”, disse o coordenador, citando uma pesquisa do Instituto Datafolha, publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, com a estimativa de público do evento em 2012 .

“É muito relativo porque o cálculo é complexo, a Parada começa às 12h e vai até às 16h. O publico que fica concentrado após a Consolação também é público da Parada, quem chega antes também, não é só quem marcha”, pondera Matias, que prefere não estimar o número de participantes do evento que ele acredita ser o real.

Por outro lado, Matias ressalta que o número total de frequentadores da Parada é importante, mas não deve ser o único foco do evento. “Quando temos o microfone, nos manifestamos, temos politica e debates. Se atingirmos nem que seja uma só pessoa com isso, o esforço já será válido”, conclui.

Antes da estimativa do Datafolha, o número de frequentadores da Parada de São Paulo era estimado pelos organizadores em mais de 3 milhões. A quantia expressiva colocou o evento como o maior deste gênero do mundo no “Guiness Book”, o livro dos recordes.

Fonte: IG

Deu na Rádio Caçula? Fique sabendo na hora!
Siga nos no Google Notícias (clique aqui).
Quer falar com a gente? Estamos no Whatsapp (clique aqui) também.

Veja também

Cursos culturais da SETURC retomam aulas na próxima segunda-feira em Três Lagoas

Atividades começam no dia 9 de fevereiro e contemplam diversas modalidades artísticas oferecidas gratuitamente à comunidade A Prefeitura de Três Lagoas, por meio da Secretaria...

Saúde apresenta Relatório do 3º Quadrimestre de 2025 em audiência pública

Encontro acontece no dia 20 de fevereiro, no plenário da Câmara Municipal, e é aberto à população

Mais de 5 toneladas de fios irregulares já foram retiradas de postes em Três Lagoas, diz Neoenergia Elektro

Analista institucional da empresa detalhou as ações de reordenamento, que foram realizadas em parceria com empresas de telecomunicação do município