O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou aos Estados Unidos nesta quarta-feira (28) e divulgou uma declaração na qual questiona o resultado das eleições presidenciais, acusa autoridades brasileiras de perseguição política e afirma ser o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. As alegações foram apresentadas em uma carta divulgada por meio do empresário Paulo Figueiredo, que vive nos Estados Unidos.
No documento, Flávio agradece ao presidente argentino Javier Milei, ao presidente norte-americano Donald Trump e à população dos Estados Unidos pela recepção. O parlamentar associa os dois líderes estrangeiros à defesa de valores que, segundo ele, seriam compartilhados por seus apoiadores no Brasil. Também elogia Trump por sua posição em relação à liberdade de expressão.
Senador questiona resultado das eleições
Na carta, Flávio afirma que teria ocorrido fraude eleitoral no segundo turno das eleições presidenciais. Ele questiona o aumento da votação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre o primeiro e o segundo turno e contesta uma decisão relacionada à extensão do horário de votação.
O senador sustenta que a medida teria beneficiado o adversário e afirma que eleitores teriam sido submetidos a regras diferentes. Também critica a atuação da Justiça Eleitoral e acusa a campanha de Lula e Geraldo Alckmin de abuso de poder político e econômico, além do uso da máquina pública para favorecer a reeleição.
Essas afirmações fazem parte da versão apresentada pelo parlamentar. A declaração, por si só, não comprova a existência de fraude eleitoral, e as acusações devem ser distinguidas de fatos oficialmente demonstrados.
Críticas ao Supremo Tribunal Federal
Flávio também direciona críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a autoridades envolvidas nas decisões judiciais que atingiram seus documentos de viagem. Na avaliação apresentada na carta, as medidas adotadas contra ele fariam parte de uma estratégia de perseguição política.
O senador compara a atuação das instituições brasileiras a um processo de restrição das liberdades democráticas e afirma que as decisões judiciais teriam como objetivo impedir sua atuação política. Ele relaciona a situação à trajetória do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e a outros apoiadores do bolsonarismo que, segundo sua interpretação, também seriam alvo de perseguição.
O parlamentar sustenta ainda que não pretendia deixar o Brasil, mas afirma que decidiu sair diante do que considera uma escalada de ações contra ele. Na carta, também declara que não existe mandado de prisão contra sua pessoa e nega ter cometido crimes.
Viagem aos Estados Unidos e repercussão política
A chegada de Flávio aos Estados Unidos ocorreu após uma viagem que passou pela Argentina e pelo Equador. Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira, ele deixou o Brasil por via terrestre, cruzou a fronteira argentina com a família e embarcou em um avião particular com destino a Guayaquil, antes de seguir para Miami, na Flórida.
A viagem ganhou repercussão porque ocorreu depois de decisões judiciais relacionadas à entrega e ao cancelamento de seus passaportes. O episódio também ampliou a atenção sobre as relações políticas entre Brasil, Argentina e Estados Unidos, especialmente diante das manifestações de apoio atribuídas a integrantes dos governos estrangeiros.
A situação poderá ter novos desdobramentos políticos e jurídicos. As consequências dependerão da análise das autoridades competentes, dos procedimentos em andamento e de eventuais decisões judiciais.
A carta representa a posição de Flávio Bolsonaro sobre o resultado eleitoral e as medidas adotadas contra ele. As acusações de fraude e perseguição devem ser tratadas como alegações do senador, sem apresentá-las como fatos comprovados.


