Uma nova tecnologia está mudando a forma de realizar a colheita florestal em Mato Grosso do Sul. Uma máquina utilizada no corte de árvores passou a ser comandada remotamente por um operador localizado a até 350 quilômetros de distância da área de trabalho.
O projeto é desenvolvido pela Suzano, em parceria com a Komatsu e a S4E Tech, e já permitiu a colheita de aproximadamente 12 mil árvores no Estado. Segundo as empresas envolvidas, esta é a primeira experiência de teleoperação de uma máquina do tipo Harvester em uma operação real do setor florestal brasileiro.
Os comandos são realizados a partir da torre de controle florestal da Suzano, em Ribas do Rio Pardo, enquanto a máquina permanece na área de colheita. O operador trabalha em uma estação remota que reproduz os controles do equipamento e acompanha a atividade por meio de câmeras que transmitem imagens em tempo real.
Apesar de ser comandada à distância, a máquina não funciona de maneira autônoma. Todas as movimentações continuam sob responsabilidade do operador. Ao todo, sete profissionais foram capacitados para participar dos testes, sendo cinco na operação de colheita e dois na atividade de carregamento.
Além de ampliar as possibilidades de automação no setor, a tecnologia pode reduzir o tempo que os trabalhadores precisam gastar no deslocamento até as áreas de produção. De acordo com a Suzano, atualmente um operador pode levar cerca de duas horas para chegar até algumas frentes de colheita.
Outro potencial benefício apontado pelo projeto é a ampliação da inclusão profissional. Com a possibilidade de controlar os equipamentos de uma estação remota, a tecnologia pode facilitar a participação de pessoas que teriam dificuldades para atuar diretamente nas áreas de colheita, incluindo profissionais com deficiência.
Conexão via satélite
Um dos principais desafios enfrentados no desenvolvimento da tecnologia foi garantir comunicação estável em regiões rurais onde não existe infraestrutura convencional de telecomunicações. Para isso, o sistema utiliza conexão via satélite entre a máquina e a estação de controle.
Também foram implantados mecanismos de segurança capazes de interromper automaticamente o equipamento em caso de perda de comunicação ou identificação de alguma situação anormal durante a operação.
Atualmente, duas máquinas participam do projeto. Em Mato Grosso do Sul, a Suzano conta com mais de mil operadores envolvidos nas atividades de colheita e carregamento de madeira. O Estado produz cerca de 19 milhões de metros cúbicos de madeira por ano, em uma área aproximada de 100 mil hectares.
A pesquisa para adaptar esse tipo de tecnologia às operações florestais começou em 2024. Em abril de 2026, as máquinas passaram a ser comandadas remotamente. Após a primeira fase de testes, que avaliou principalmente segurança e limitações operacionais, o projeto deverá avançar para uma etapa piloto nos próximos meses, com possibilidade de expansão gradual da tecnologia.


